Polêmica ameaça ofuscar um dia bastante movimentado para a família real, com o rei e os príncipes William e Harry participando de diversos eventos.

O Palácio de Buckingham está envolvido em uma disputa verbal com Charles Spencer, o conde Spencer, irmão de Diana, princesa de Gales, por causa de um polêmico livro de memórias sobre a vida e a morte dela.

Segundo trechos publicados no jornal Daily Mail, o rei Charles 3º é acusado de ter dito de forma insensível ao conde Spencer, após a trágica morte de Diana em 1997, que "nós a esqueceremos em breve".

Mas o Palácio reagiu com uma veemência incomum, irritado com as alegações e tentando lançar dúvidas sobre elas.

"Embora, por princípio, não comentemos livros, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda", afirmou.

A linguagem utilizada lembra a resposta inesperadamente firme da Rainha Elizabeth às acusações de racismo feitas pelo duque e pela duquesa de Sussex (o príncipe Harry e sua esposa, Meghan) em 2021, com o comentário de que "as lembranças podem ser diferentes".

E a polêmica ameaça ofuscar um dia bastante movimentado para a família real — com o rei, o príncipe William e sua esposa, Catherine, participando de eventos e o príncipe Harry fazendo sua primeira aparição pública desde que retornou ao Reino Unido.

O livro de Charles Spencer, Swan Song: Diana, My Sister (Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã, em tradução literal), que será lançado na próxima semana, parece destinado a reabrir um período muito difícil na história recente da Família Real — escrito a partir da perspectiva da própria família Spencer.

A morte de Diana, uma figura extremamente popular, criou uma atmosfera instável, na qual a família real foi acusada de não demonstrar sentimentos e empatia, e de parecer alheia ao sentimento público.

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O discurso emocionado e desafiador do conde Spencer no funeral dela aumentou ainda mais a nuvem de ressentimento que pairava sobre a morte repentina de Diana — em virtude dos graves ferimentos após um acidente de carro em Paris. E este livro oferecerá uma visão privilegiada desses eventos.

No trecho publicado, o conde Spencer afirma que o então príncipe de Gales o submeteu a uma "torrente de fúria" depois de ele, o conde Spencer, ter insistido que Diana não teria desejado que os príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, tivessem que participar do cortejo fúnebre dela.

O conde Spencer escreveu no livro: "Ele [Charles] desabafou ao telefone o que sempre interpretei como seu desprezo reprimido por Diana e seu horror pelo fato de o mundo ter ficado tão abalado com a morte dela. 'Fiquem tranquilos', ele sussurrou, 'nós a esqueceremos em breve'."

Essa alegação está sendo rejeitada pelo Palácio, que a considera totalmente incompatível com a personalidade de um homem profundamente compassivo, que na época estava lidando com seu próprio luto e o de seus dois filhos.

Julian Payne, ex-secretário de comunicações do monarca, disse à BBC que os supostos comentários do rei relatados no livro "simplesmente não são uma linguagem que eu reconheça".

Ele disse que a declaração "altamente incomum" do Palácio demonstrou a "forte intensidade dos sentimentos que devia haver para que eles sentissem a necessidade de vir a público e corrigir a situação".

A disputa surge em um momento em que vários eventos da realeza estarão competindo pela atenção do público.

O rei Charles 3º deverá intervir no debate sobre inteligência artificial, apelando a líderes da indústria para que impeçam que ela se torne uma força destrutiva.

"Os que, em nosso mundo, valorizam nossa humanidade e seu componente moral essencial buscam ansiosamente sua garantia de que não perderemos o controle do nosso destino", deverá dizer o rei nesta quinta-feira, ao receber representantes das principais empresas de IA na Dumfries House, em Ayrshire.

"O desenvolvimento da IA, sua essência e seu ritmo, são ao mesmo tempo intrigantes e profundamente preocupantes", dirá o rei.