São Paulo segue como principal destino corporativo do país, mas perdendo espaço para regiões bem distantes da capital paulista, em polos ligados ao agronegócio, logística, indústria e infraestrutura The post O mapa das viagens de negócios no Brasil está mudan…
O interior dos estados brasileiros está atraindo cada vez mais viagens a trabalho, diminuindo a concentração desse tipo de deslocamento para São Paulo – uma interiorização apoiada tanto nos deslocamentos corporativos aéreos quanto rodoviários, que vêm ganhando popularidade no lugar dos carros. É o que mostra o Radar Business Travel, estudo produzido pela VOLL em parceria com a Visa e a Panrotas.
Municípios conectados à economia real aparecem entre os maiores destaques da base analisada pela empresa. Sinop (MT), um dos principais centros do agronegócio brasileiro, registrou aumento de 37% no volume de viagens corporativas aéreas entre 2025 e 2026. Navegantes (SC), inserida em um dos principais corredores logísticos e portuários do Sul do país, avançou 25%. Londrina (PR), importante polo regional de serviços e agronegócio, cresceu 23%, enquanto Foz do Iguaçu (PR) registrou alta de 54%, a maior entre os principais destinos monitorados pela companhia.
Entre as capitais, os maiores avanços ocorreram em João Pessoa (PB) e Aracaju (SE), ambas com crescimento de 51% no número de viagens corporativas. Também registraram expansão relevante Goiânia (GO), com alta de 23%, Porto Alegre (RS), com 22%, e Vitória (ES), com 20%.
Enquanto isso, os mercados mais consolidados perderam espaço relativo. São Paulo permaneceu como principal destino corporativo do país, concentrando 27% das viagens domésticas da base da VOLL, mas perdeu quase um ponto percentual de participação entre 2025 e 2026. Belo Horizonte e Campinas também registraram perdas, ainda que mais discretas.
“O Brasil é um país continental com a economia se interiorizando. Agronegócio, energia, mineração, infraestrutura e centros de distribuição estão longe das capitais, mas a decisão continua nas capitais. Isso gera viagem por natureza”, afirma Luiz Moura, cofundador e CBO da VOLL.
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A avaliação ajuda a explicar um dado divulgado pelo estudo: o Brasil deverá crescer 13,8% em gastos com viagens corporativas neste ano, o maior avanço entre os 15 maiores mercados do mundo.
O número não foi calculado pela VOLL. Trata-se de uma projeção do Business Travel Index 2026, levantamento da Global Business Travel Association (GBTA), elaborado pela consultoria Rockport Analytics com apoio da Visa. O estudo estima os gastos corporativos em 72 países e 44 setores econômicos a partir de dados de transporte, hospedagem, contas nacionais e pesquisas com mais de 4.700 viajantes em 66 mercados.
Na visão de Moura, o desempenho do segmento de viagens corporativas brasileiro é sustentado por um ciclo mais favorável de negócios, impulsionado pelo investimento em tecnologia e inteligência artificial, pela recuperação dos eventos presenciais e pelo bom momento de setores ligados a commodities, além da interiorização de rotas e da profissionalização da gestão de viagens corporativas, que passou a capturar despesas antes dispersas em cartões corporativos e reembolsos.
Na base da VOLL, 63% das viagens rodoviárias corporativas conectam capitais a cidades do interior. Outros 25% ocorrem entre cidades do interior, enquanto os deslocamentos entre capitais perderam espaço e hoje representam menos de 12% do total.
Outro dado chama atenção: 59% das viagens terrestres acontecem dentro do mesmo estado, indicando que boa parte da mobilidade corporativa está associada a deslocamentos regionais de curta e média distância.
Na base da VOLL, para cada dez bilhetes aéreos emitidos em 2026, há cerca de dois bilhetes rodoviários, proporção semelhante à observada em 2025. O que mudou foi a composição dessas viagens. Os deslocamentos entre capitais ficaram praticamente estáveis, enquanto as ligações entre capitais e cidades do interior cresceram cerca de 19%.
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Segundo Moura, quase nove em cada dez viagens rodoviárias corporativas têm pelo menos uma ponta no interior.
Os corredores que mais cresceram refletem a geografia da atividade econômica brasileira. Entre eles estão as ligações entre Rio de Janeiro e Macaé, impulsionadas pelo setor de óleo e gás; Belo Horizonte e cidades do Quadrilátero Ferrífero, como Mariana e Ouro Preto; Goiânia e municípios do interior de Goiás; Cuiabá e o norte de Mato Grosso; além do eixo Rio de Janeiro-Volta Redonda.
Em vários desses corredores, o volume mais que dobrou em apenas um ano. “A rota São Paulo e Campinas também cresceu mais de 100%, sinal do rodoviário executivo entrando na agenda de quem antes ia de carro”, conta o executivo.
Também houve forte expansão em alguns estados. O número de viagens terrestres corporativas com destino ao Rio Grande do Sul cresceu 177% entre 2025 e 2026. No Paraná, a alta foi de 143%; em Goiás, de 95%; no Espírito Santo, de 90%; e no Rio de Janeiro, de 77%.
Apesar disso, São Paulo e Minas Gerais seguem como os maiores mercados do país nesse segmento, concentrando juntos mais de um terço do volume total de viagens terrestres registradas pela empresa.
Contudo, a expansão das viagens terrestres não significa uma substituição do avião. Segundo a VOLL, os voos de até 500 quilômetros cresceram em ritmo semelhante ao dos trajetos mais longos, cerca de 30% por trecho, o que indica complementaridade entre os modais e não uma substituição do aéreo pelo terrestre.
“Na nossa base, os voos de até 500 km cresceram na mesma proporção, cerca de 30% em trechos, incluindo pares como São Paulo e Rio, São Paulo e Curitiba ou Belo Horizonte e Rio. O que vemos é complementaridade. O rodoviário cresce em rotas sem oferta aérea competitiva e, cada vez mais, como último trecho de uma viagem que começa no avião. A rota Confins-Belo Horizonte praticamente não existia na nossa base em 2025 e hoje tem volume relevante”, explica Moura.



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