Marcos Muzzi faturou o título na categoria receita original da Tiramisù World Cup, depois de dois anos treinando para chegar ao pavê perfeito
Três anos depois, Muzzi repete o feito da paulistana Patrícia Guerra na competição culinária para amadores criada em 2017 por Francesco Redi, da Twissen Group. Advogada e corregedora do estado de São Paulo, Patrícia fez história ao ser a primeira não italiana a faturar o troféu e ser a segunda mulher a vencer na categoria receita original, que tem como modelo o tiramisu clássico, um pavê.
Ao erguer o troféu, Muzzi dedicou o prêmio à sua família e, em particular, ao marido. Para chegar ao título, passou por um longo processo preparatório. Ele contabiliza dois anos de treinos para chegar à preparação perfeita, que reúne somente seis ingredientes: queijo mascarpone, ovos, açúcar, biscoito savoiardo (aqui no Brasil chamado de biscoito champanhe), café e cacau em pó.
As etapas da disputa também foram longas. A primeira delas, no campeonato paulista, aconteceu em Campinas em 2025. Depois, venceu ainda uma prova intermediária no Rio de Janeiro e, finalmente, a nacional, ambas realizadas em junho.
Neste domingo (11), veio a consagração internacional, depois de enfrentar cerca de 320 concorrentes, oriundos não só da Itália, mas de outros 33 países. Primeiro, foi avaliado por um júri popular de 130 jurados amadores no processo eliminatório da competição.
“Esses voluntários foram selecionados ao redor do mundo por meio de um teste on-line classificatório sobre as regras e a história do doce. Eles atuaram nas rodadas de seleção feitas nos dias 9 e 10 de outubro”, detalha Muzzi.
As fases decisivas, semifinais e a grande final neste domingo (11), foram realizadas exclusivamente por um corpo de juízes especialistas e chefs profissionais.
Muzzi conta que sua ligação com a confeitaria é “afetiva”. “Sou de família italiana, aprendi a cozinhar desde muito cedo e aos finais de semana o tiramisù era uma sobremesa sempre presente nos almoços de família”, lembra.
“Não tenho formação como confeiteiro e esse concurso é apenas para amadores. Também não tenho formação universitária. Faço vários cursos livres, por exemplo, análise sensorial de mel e análise sensorial de café certificado pela SCA (Specialty Coffee Association)”, diz.
O encanto pelo mel vem do fato de ele ser meliponicultor, ou seja, um criador de abelhas nativas sem ferrão na propriedade que a família mantém em Ibiúna, no interior de São Paulo.
“Faço, junto com minha sócia, um trabalho de harmonização guiada com méis de abelha nativa, chamado ‘Vivências Sensoriais’”, explica.
Muzzi não chega a ser um rosto desconhecido dos fãs de realities culinários. “Participei de outras disputas, sempre como amador. Uma delas foi no Que Seja Doce, no episódio 39 da décima temporada em 2024.”
Maddalena prossegue: “Então, assimilar novas culturas com novos ingredientes, e ao mesmo tempo não mudar e ser sempre muito, muito acolhedora. E acho isso estupendo porque não significa trair quem somos, mas abrir nossa mesa para qualquer um que deseje compartilhá-la conosco. Posso dizer-lhe, acho incrível e penso que é uma belíssima mensagem, mais uma ponte entre a Itália e o Brasil, ou entre a Itália e a comunidade italiana, que agora é brasileira.”
Além de Muzzi, Ciro Tomassini, italiano de Vicenza, no Vêneto, também foi premiado, só que na categoria receita criativa, na qual é possível acrescentar até três ingredientes extras. Curiosamente, ele fez um doce em formato de colmeia, mel de limão, ingrediente que Muzzi produz mas não poderia usar, mais compota de framboesa e chocolate branco.
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