Erguido na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, Stonehenge não surgiu de uma única obra nem foi construído de uma só vez. O monumento passou por diferentes fases durante muitos séculos, envolvendo escavações, sepultamentos, transporte de pedras por grandes distâncias, acabamento cuidadoso e montagem de estruturas que ainda impressionam pela precisão alcançada sem máquinas... The post O monumento pré-histórico formado por enormes pedras transportadas e erguidas

Análises modernas revelam de onde vieram muitas das pedras, enquanto parte das técnicas usadas para transportá-las ainda permanece em estudo

Stonehenge erguido na planície de Salisbury com seus grandes trilitos Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Erguido na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, Stonehenge não surgiu de uma única obra nem foi construído de uma só vez. O monumento passou por diferentes fases durante muitos séculos, envolvendo escavações, sepultamentos, transporte de pedras por grandes distâncias, acabamento cuidadoso e montagem de estruturas que ainda impressionam pela precisão alcançada sem máquinas modernas.

A primeira grande estrutura conhecida no local foi criada por volta de 3000 a.C. Ela consistia em uma vala circular acompanhada por bancos de terra e 56 cavidades hoje chamadas de Aubrey Holes. Evidências de cremações mostram que a área também funcionou como espaço funerário durante parte de sua história inicial.

A transformação mais famosa aconteceu por volta de 2500 a.C., quando grandes pedras sarsen e blocos menores conhecidos coletivamente como bluestones foram posicionados no centro. Séculos depois, algumas dessas pedras menores foram reorganizadas, mostrando que a configuração preservada atualmente representa apenas uma das várias fases do monumento.

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As maiores pedras são sarsens, um tipo de silcreto. A maioria provavelmente veio de West Woods, nos Marlborough Downs, cerca de 25 quilômetros ao norte. Muitas pesam aproximadamente 20 a 25 toneladas, enquanto alguns exemplares chegam perto de 30 toneladas. Para movimentá-las, seriam necessários grandes grupos trabalhando de forma coordenada.

Não existe um manual pré-histórico que revele o método exato. Experimentos e evidências arqueológicas indicam o possível uso de cordas vegetais, estruturas de madeira, alavancas e superfícies preparadas. Para erguer os blocos, os construtores cavavam fossas com lados inclinados e provavelmente utilizavam cordas e armações de madeira para colocá-los na vertical.

Este vídeo da English Heritage mostra como a construção de Stonehenge pode ter sido realizada.

As chamadas bluestones incluem diferentes tipos de rocha associados principalmente às colinas de Preseli, no sudoeste do País de Gales, a mais de 200 quilômetros de Salisbury Plain. Elas pesam geralmente entre 2 e 5 toneladas. Estudos geológicos permitiram relacionar algumas delas a afloramentos específicos daquela região.

Uma descoberta mais recente tornou a história ainda mais complexa. Análises publicadas em 2024 indicaram que a chamada Altar Stone, um bloco de arenito com cerca de 6 toneladas, apresenta composição compatível com rochas da Bacia Orcadiana, no nordeste da Escócia. Isso implica uma origem a pelo menos 750 quilômetros de Stonehenge.

Ainda não. A origem geológica pode ser identificada com crescente precisão, mas isso não revela automaticamente a rota seguida pelos construtores. Para as pedras galesas, diferentes trajetos terrestres e combinações com transporte por água já foram propostos, sem que exista consenso definitivo sobre todo o percurso.

A página da English Heritage sobre a construção de Stonehenge reúne as principais evidências arqueológicas atualmente utilizadas para reconstruir esse processo. No caso da Altar Stone escocesa, o transporte marítimo foi sugerido por pesquisadores como uma possibilidade plausível, mas não demonstrada diretamente.

Os sarsens formavam o grande círculo externo e os trilitos centrais, estruturas compostas por duas pedras verticais sustentando uma horizontal. O sistema impressiona porque os construtores produziram encaixes semelhantes aos empregados em carpintaria, incluindo espigas, encaixes e junções comparáveis a lingueta e ranhura.

Esse trabalho exigiu não apenas força, mas planejamento, alimentação, ferramentas e organização de numerosos trabalhadores. A variedade das distâncias percorridas pelas pedras também sugere redes de deslocamento e contato entre comunidades pré-históricas espalhadas por diferentes partes da Grã-Bretanha.

A arqueologia consegue explicar muito mais sobre o monumento hoje do que há algumas décadas. Datações, análises químicas, escavações e levantamentos digitais revelaram procedência das pedras, sucessivas modificações e técnicas sofisticadas de acabamento. Ainda assim, nenhuma evidência preservou todos os detalhes logísticos do trabalho.

Essa ausência permite formular hipóteses, mas não autoriza imaginar tecnologias desaparecidas ou explicações extraordinárias. O que as evidências mostram é igualmente impressionante: comunidades neolíticas conseguiram organizar pessoas, recursos e conhecimentos técnicos suficientes para transportar e montar enormes blocos por volta de cinco milênios atrás.