Seguindo a Radial Leste, até passar o estádio do Corinthians e extrapolar o perímetro de São Paulo, uma pequena estrada de terra me levou a couves-flores tão lindas que poderiam virar buquês de noivas e ervas-doces que, se carregadas por modelos, chama

Seguindo a Radial Leste, até passar o estádio do Corinthians e extrapolar o perímetro de São Paulo, uma pequena estrada de terra me levou a couves-flores tão lindas que poderiam virar buquês de noivas e ervas-doces que, se carregadas por modelos, chamariam mais atenção do que bolsas da Balenciaga.

É uma fruta específica, no entanto, que motivou Victor Valadão, chef do Mapu e do Aiô ao lado de Caio Yokota, a enfrentar os 75 quilômetros de trânsito com sua equipe de cerca de 30 pessoas — e eu!

Me enfiei na viagem quando a confeiteira Vanessa Rika me deu um morango para provar no meio do menu-degustação entre o Aiô e o italiano Fame, no início de agosto. Macio, suculento e docinho, era o toyonoka, variedade que foi febre no Japão nos anos 1980.

Por causa dele, fui pela primeira vez a Suzano, cidade metropolitana que chegou a ser a maior produtora de morangos do Brasil. Victor, porém, já sabia o caminho para a casa de Milton e Marlete Isizuka de cor.

"Eles não entregam, então sempre que precisamos, nós vamos buscarVictor Valadão, chef do Mapu e do Aiô

Por lá, a plantação da espécie começou em 1987. "Ganhamos três mudas de um amigo japonês agrônomo", conta Kelly, filha do casal e responsável por apresentar os morangos da família para Rika.

A fruta conquistou não só os chefões da operação, como quem trabalha na cozinha, no salão e no bar. Como numa excursão de escola, os funcionários visitam o sítio anualmente.

"Ano passado, comi tanto morango que fiquei até me tremendo. Sugar high!

Apesar de a vida do campo parecer um sonho para quem vive nas loucuras do centro de São Paulo, o trabalho na terra é árduo. Somente Milton e Marlete se encarregam do toyonoka, que exige um manuseio diário. O produtor explicou à turma que não se pode tocar na fruta para colher. "Só no caule. Senão, fica com as marcas dos dedos".

A produção é limitada ao que o casal dá conta de cuidar, considerando que também tocam a plantação de morango Valentina e das hortaliças, que vão de alface a bok choy (acelga chinesa). Por isso, ter acesso ao toyonoka não é tarefa fácil.

"Todo ano eu tenho uma lista de interessados. A safra vai de junho a setembro, mas em janeiro já tem gente me pedindo. Em São Paulo, só fornecemos para o Mapu e o AiôKelly Isizuka

O jeito mais fácil de provar é ir aos restaurantes. Até sábado (29), tem um drinque de morango com uísque escocês, vermute seco, vinagre de arroz, angostura e xarope de jasmim (R$ 45) no Mapu. A partir de terça (1º), entra a sobremesa que combina crumble, bolo francês de amêndoa, sorvete, geleia e mochi de morango.

Já no Aiô, o doce é uma raspadinha de saquê com doce de feijão branco, morango fermentado no sal, merengue e folha de gergelim. Também é oferecido por tempo limitado, sai por R$ 36.

A agricultura sempre esteve na minha família, desde quando meus avós estavam no Japão. Hoje, vemos que ganhamos muitos amigos por causa do morango, foi uma forma de se conectar com as pessoas Kelly Isizuka, produtora de morangos

Que bom que, depois dessa viagem, eu também entrei para a lista

Vai lá: Aiô. Rua Áurea, 307, Vila Mariana. @aiorestauranteMapu. R. Áurea, 267, Vila Mariana. @mapubaos

Novo queridinho pra conta

O Mag Market é conhecido pelo bolo de chocolate escuro, denso e com brigadeiro puxa-puxa. De tão delicioso, sempre hesito trocá-lo por outra opção da vitrine. Mas da última vez me surpreendi com a tortinha de pistache (R$ 38). A noz entra sem exageros e equilibra o chocolate. A parte mais gostosa é o pistache caramelado com sal, que, além de dar textura, provoca a vontade de mais uma mordida.Vai lá: Rua Dr. Renato Paes de Barros, 433, Itaim Bibi. @magmarket_

Louças autorais de padaria Os pães e os folhados são a principal ocupação do mineiro Diêgo Penido, d'A Fila do Pão. Recentemente, porém, ele se dedicou a outro ofício: desenvolver pratos, cumbucas e xícaras. Com frases carismáticas como "quem é você na fila do pão?", a linha de louças autorais é inspirada em seu pai e avô, que trabalharam como abridores de letras, gravando ou pintando letras em superfícies diversas.Vai lá: Av. São Luís, 187, Galeria Metrópole, República. @na.filadopao

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