Apesar de recente queda no desmatamento, bioma ainda sofre com perdas em parcela importante para a conservação ecológica
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O Cerrado é o bioma mais desmatado do Brasil, com grave perda de vegetação secundária, essencial para sua recuperação. Um estudo revela que 73% dessa vegetação é novamente destruída em até 10 anos, impactando a biodiversidade. Apesar disso, houve queda de 19% nos alertas de desmatamento em agosto.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e está presente em grande parte do país, em especial na região central, em estados como Goiás, Maranhão e Mato Grosso. Desde 2019 é o bioma mais desmatado do país, e só em 2025 representou mais da metade de todo o desmatamento do Brasil. Um levantamento recente feito por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) na rede MapBiomas mostrou que a vegetação secundária do Cerrado — vegetação que cresce após ser desmatada, essencial para a conservação — tem sido cada vez mais perdida. Desde 1987, 7,9 milhões de hectares desse tipo de vegetação foram desmatados.
A Floresta Amazônica e o Cerrado são os biomas que ocupam a maior parte do país e também os mais afetados. Em geral, considerou-se por muitos anos que a Amazônia seria o bioma mais devastado, mas informações dos últimos anos mostram que o Cerrado se tornou o espaço que mais sofre com a destruição da flora e fauna nativas. Só em 2025 o bioma perdeu mais de meio milhão de hectares, e junto da Amazônia formou o grupo responsável por 84% de todo o desmatamento do Brasil.
Para a conservação dos biomas, uma característica importante é a manutenção da vegetação secundária. Essas são áreas em que a vegetação nativa cresce após o desmatamento, seja de forma natural ou por iniciativas de proteção e restauração. Casos em que esse tipo de área não consegue ser mantida prejudica e contribui para tornar o bioma ainda mais vulnerável. As vegetações secundárias são áreas especiais para a conservação porque acumulam carbono com mais rapidez do que florestas primárias, que já estavam lá desde o início.
Dados do relatório construído pelo IPAM e MapBiomas identificaram que 73% de toda a vegetação secundária perdida no bioma é desmatada novamente em até dez anos. Essas áreas representavam, até 2025, 8% de toda a cobertura nativa do cerrado. Desde 2007, a destruição dessa parcela, essencial para a conservação, aumentou continuamente. Quase 20% de área a mais foi desmatada entre 2017 e 2025, se comparado ao período anterior, de 2007 a 2016.
Outro fator importante das vegetações secundárias é sua idade. Quanto mais velhas, mais a recuperação da flora pode agir dentro de um bioma e recuperar parte das funções ecológicas da mata primária. O levantamento mostra que, de todos hectares de vegetação secundária desmatados, quase 27% eram inteiramente de áreas com mais de dez anos de conservação.
“No Cerrado, a maior parte da perda de vegetação secundária ocorre em áreas jovens, mas outros 27% ocorrem em áreas com 11 anos ou mais. Isso mostra que esta perda também tem afetado áreas onde a recuperação já vinha se consolidando há mais de uma década. Quando uma área de vegetação secundária é novamente suprimida, os impactos acumulados sobre a estrutura e a diversidade amplificam a degradação e tendem a tornar as paisagens cada vez menos resilientes aos efeitos de eventos climáticos extremos”, explica Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e da rede MapBiomas.
Apesar das perdas na vegetação secundária, o Cerrado por completo tem passado por melhorias. Informações divulgadas nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que os alertas de desmatamento para o cerrado caíram 19% em agosto — quando 253 km2 foram desmatados — se comparado com o mesmo período do ano passado, que teve perda de 294 km2 de área nativa.
Os dados do levantamento do IPAM mostram que o Cerrado apresenta hoje menos da metade que sua cobertura original, com 99,4 milhões de hectares em 2025. Em 1987, ano base para comparação, o bioma completo continha mais de 140 milhões de hectares cobertas por florestas primárias. O Dia do Cerrado comemora-se nesta sexta-feira, 11.




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