Especialista revela as tendências, da IA à saúde mental, que estão definindo as carreiras do futuro e como se adaptar para não ficar para trás

Márcio Monson, CEO da Selecty, analisa as rápidas transformações do mercado de trabalho, impactado por IA e novos modelos - (crédito: Divulgação) O mercado de trabalho está passando por uma transformação estrutural sem precedentes, impulsionada pela inteligência artificial, novos modelos de trabalho e a crescente valorização da saúde mental. Essas mudanças, que vão além do crescimento do trabalho remoto, destacam-se pela velocidade com que ocorrem, exigindo dos profissionais e empresas uma capacidade de adaptação contínua. Profissões surgem e desaparecem mais rapidamente, e competências valorizadas ontem já não garantem a mesma relevância hoje, redefinindo o futuro do trabalho.

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Profissões surgem e desaparecem mais rápido, enquanto empresas revisam estratégias que pareciam definitivas. Competências valorizadas ontem já não garantem a mesma relevância hoje.

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Para Márcio Monson, CEO da Selecty, empresa de tecnologia para recrutamento, vivemos uma mudança estrutural no mercado de trabalho. “Há alguns anos era possível prever com relativa segurança quais profissões estariam em alta nos próximos dez anos. Hoje isso ficou muito mais difícil”, afirma.

Na visão do executivo, existem pelo menos cinco movimentos que ajudam a explicar esse cenário de transformação no mercado de trabalho.

A inteligência artificial deixou de ser algo distante e restrito a grandes empresas de tecnologia. Hoje, ela está presente em atividades simples e também em funções mais complexas, como produzir textos, resumir reuniões, criar códigos e analisar dados, impactando diretamente o mercado de trabalho.

“O impacto da IA não está apenas em substituir tarefas. Ela amplia a capacidade produtiva das pessoas”, diz Monson. Segundo ele, um profissional que domina essas ferramentas realiza em horas um trabalho que antes levava dias, otimizando o tempo e a eficiência no mercado de trabalho.

A tendência é que a IA se torne invisível, assim como a internet. “Ninguém fala que usa internet para trabalhar. Simplesmente trabalha. A IA vai seguir esse caminho”, completa, consolidando-se como uma ferramenta essencial no mercado de trabalho.

A automação, antes associada a fábricas e atividades operacionais, chegou aos escritórios, transformando o trabalho intelectual. Analistas, advogados, recrutadores e desenvolvedores convivem com sistemas que executam parte de suas antigas tarefas, redefinindo as exigências do mercado de trabalho.

Isso não significa o fim dessas profissões, mas uma mudança no valor entregue. “Estamos entrando em uma fase em que conhecimento técnico sozinho já não basta. O diferencial passa a ser interpretação, criatividade, capacidade de relacionamento e visão estratégica", avalia o CEO, destacando as novas competências valorizadas no mercado de trabalho.

A estabilidade por meio da especialização perdeu força no mercado de trabalho atual. O modelo de aprender uma profissão e construir uma longa carreira nela já não é o único caminho, exigindo dos profissionais uma constante capacidade de adaptação.

“O profissional mais seguro não é necessariamente o que sabe mais. Muitas vezes é aquele que aprende mais rápido", explica Márcio Monson. Na prática, conceitos como reskilling e atualização contínua se tornaram parte da rotina profissional, fundamentais para se manter relevante no mercado de trabalho.

Cinco anos após a pandemia, muitas empresas ainda buscam o modelo ideal de trabalho, seja ele presencial, remoto ou híbrido. O que se observa é um movimento de acomodação em formatos híbridos mais maduros, impactando a dinâmica do mercado de trabalho.

Enquanto parte das companhias viu benefícios no trabalho remoto, outra enfrentou dificuldades de cultura e colaboração. Para os profissionais, a flexibilidade ganhou um valor enorme. “Depois que alguém experimenta ganhar duas horas por dia sem deslocamento, é difícil abrir mão disso”, aponta Monson, influenciando as expectativas no mercado de trabalho.

A pressão por produtividade, a necessidade constante de se atualizar e a velocidade das mudanças geram impactos na saúde mental dos trabalhadores. “Nem todo mundo consegue acompanhar mudanças tão rápidas da mesma forma”, ressalta o especialista, tornando a saúde mental um tema crucial no mercado de trabalho.

O tema deixou de ser uma preocupação exclusiva do RH e passou a ocupar espaço nas estratégias das empresas. Ambientes saudáveis e lideranças preparadas tornaram-se fatores determinantes para atrair e reter talentos no mercado de trabalho.