Velho conhecido dos escândalos políticos, presidente do PL mobilizou mais de R$ 100 milhões da Câmara

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14.jul.2026 às 22h00

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Valdemar Costa Neto é velho conhecido dos escândalos políticos no Brasil. O presidente do PL foi condenado no mensalão, investigado na Lava Jato e indiciado na tentativa de golpe de Jair Bolsonaro (PL). A ninguém surpreende, portanto, que seu nome apareça na farra das emendas parlamentares.

De acordo com a Polícia Federal, Valdemar, que não é deputado nem senador, vinha direcionando recursos da Câmara conforme seus próprios interesses, "em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato" (desvio de dinheiro público).

Ao todo, são 21 emendas sob suspeita, com datas que variam de junho de 2024 a março de 2026 e somam R$ 119 milhões. Como a PF acredita que o próprio Valdemar possa ter sido o beneficiário final dessa dinheirama, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de valor correspondente em bens do ex-deputado.

O presidente do PL se disse surpreso com a decisão de Dino. Por meio de seus advogados, afirmou que o ministro "parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária".

De fato, no atual estágio da investigação, ainda não se conhecem evidências de que as verbas parlamentares tenham engordado os bolsos de Valdemar. E, sem dúvida, é possível que, na condição de presidente do PL, ele estivesse apenas participando de debates relativos à melhor destinação de certos recursos.

O problema com a explicação é que ela não dá conta das mensagens interceptadas pela PF durante a Operação Transparência, deflagrada em dezembro passado e que teve como alvo uma assessora ligada a Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Nos diálogos, alguns servidores tratam as emendas parlamentares como se fossem propriedade privada de Valdemar. Afirmam, por exemplo, que ele não aceitaria mudanças nos destinos de recursos e demonstram que o presidente do PL pode lançar o dinheiro de uma rubrica para outra conforme sua conveniência.

O surrealismo do quadro salta aos olhos com uma comparação. Em 2024, Valdemar —que não tinha mandato— indicou R$ 111,8 milhões em emendas, o que o deixou à frente de 512 deputados no período. Apenas o então presidente da Casa, Arthur Lira, teve ascendência sobre valor superior.

É curiosa a situação: o Legislativo, que não se faz de rogado quando sente necessidade de defender suas prerrogativas diante dos outros Poderes, parece pouco interessado em evitar que milhões de reais sejam manipulados por um cidadão que não possui representação parlamentar.

A aparente contradição talvez se explique porque os mais variados deputados —e, vale acrescentar, presidentes de partidos— beneficiam-se com a farra das emendas, distribuídas com baixa transparência e parca fiscalização. Se os legisladores não zelam pelo bom uso dos recursos públicos, resta à PF e ao STF fazê-lo.

editoriais@grupofolha.com.br

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