Romance de estreia de Caro Claire Burke é provavelmente o livro do ano. Livro satírico sobre uma 'esposa tradicional' levanta debate sobre a condição das mulheres no mundo atual.
Se você passar os olhos pelos passageiros de um avião, os hóspedes nas piscinas dos hotéis ou para os turistas nas praias neste verão na Europa e Estados Unidos, é bem possível que você encontre alguém imerso nas páginas do livro Bons Tempos: Yesteryear.
O romance de estreia da escritora Caro Claire Burke foi publicado em inglês em abril, com grande alvoroço. A versão em português está em pré-venda e será lançada no Brasil pela Editora Rocco no dia 31 de agosto.
O livro contra a história de uma influenciadora de sucesso, que se apresenta como esposa tradicional (ou tradwife, na expressão em inglês), e é transportada de volta ao século 19.
Desde o lançamento, o entusiasmo pela obra só aumentou. O livro ficou semanas na lista dos mais vendidos do jornal americano The New York Times e em primeiro lugar entre os livros de ficção do Sunday Times, no Reino Unido.
Não é que as pessoas estejam apenas esgotando os estoques do livro. Elas também estão comentando a história por toda parte.
Nas plataformas Bookstagram e BookTok, os comentários sobre Bons Tempos: Yesteryear estão em alta.
Em junho, o romance liderou o ranking de assuntos mais comentados da plataforma BookTok. E, nos grupos de bate-papo e clubes de livros, os leitores debatem intensamente o seu valor literário.
A protagonista de Bons Tempos: Yesteryear é Natalie Heller Mills, que se apresenta como uma tradwife.
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Aos 32 anos, casada e mãe de cinco filhos (esperando o sexto), ela conta aos seus milhões de seguidores nas redes sociais a vida aparentemente idílica da sua família, em uma fazenda de 200 hectares no Estado americano de Idaho.
Sua personalidade retrata a subcultura real existente na internet, de mulheres que promovem e imitam os papéis tradicionais de gênero, com os homens sendo os provedores e as mulheres, suas subordinadas, priorizando a criação dos filhos e a manutenção da casa.
Natalie prepara pães de fermentação natural, educa seus filhos em casa, bebe leite não pasteurizado da sua própria vaca e coleta ovos de suas galinhas ("as meninas") todas as manhãs, tudo com um cintilante sorriso no rosto. Pelo menos, enquanto a câmera está ligada.
Na verdade, a vida perfeita de Natalie é apenas uma fachada cuidadosamente construída, convincente e lucrativa.
Mas, um dia, ela acorda vivendo subitamente no mesmo passado que ela romantiza, mais precisamente, no ano de 1855. E, quando o teatro vira realidade, os "bons tempos" rapidamente deixam de parecer tão agradáveis.
O romance alterna entre o presente e uma versão apavorante do passado. E, só no final do livro, ficamos sabendo como e por que Natalie foi parar no século 19.
Por que o livro se tornou tão popular?
Os editores certamente investiram em uma intensa campanha de marketing. Mas o entusiasmo de Anne Hathaway também ajudou a chamar a atenção para a história.
A atriz viu um primeiro rascunho, comprou os direitos e irá produzir e estrelar o filme baseado na obra.
A atração real de Bons Tempos: Yesteryear é aquela premissa simples, mas deliciosa: "E se?"




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