Arquivos tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais em todo o país vêm tentando corrigir

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Em seu discurso em horário nobre nesta quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que existem vulnerabilidades nos sistemas eleitorais americanos e usou um grande conjunto de documentos recém-divulgados como evidência para sustentar que futuras eleições podem estar sob risco de interferência estrangeira, especialmente por parte da China.

Embora os documentos tenham sido desclassificados agora, eles tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais em todo o país vêm tentando corrigir.

Nenhuma das informações desclassificadas sustenta a alegação de que os resultados de eleições anteriores — incluindo a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden — tenham sido manipulados por interferência estrangeira ou fraude de forma capaz de alterar o resultado.

Em vez disso, autoridades da Casa Branca afirmam que a divulgação dos documentos não tem como objetivo reabrir o debate sobre eleições passadas, mas sim corrigir vulnerabilidades antes das eleições legislativas de novembro. Isso ocorre apesar de o segundo governo Trump ter encerrado diversas estruturas federais responsáveis por monitorar e divulgar campanhas de influência estrangeira.

Integrantes da Casa Branca também sugerem que parte dessas informações, algumas conhecidas há anos, teria sido ocultada de altas autoridades eleitas dos EUA, incluindo o próprio Trump, por motivos políticos.

Entre os principais pontos que Trump pretende abordar estão:

Há, de fato, algumas revelações inéditas nas centenas de páginas de documentos desclassificados nesta quinta-feira. No entanto, segundo análise da CNN, uma parte significativa do material apenas reapresenta informações que já eram públicas e amplamente conhecidas pela comunidade de inteligência dos EUA.

Os documentos fazem parte de um esforço do governo Trump para sustentar a tese de que países estrangeiros estão interferindo de forma agressiva nas eleições americanas. Vale lembrar que Trump passou quase uma década rejeitando a conclusão unânime de muitas dessas mesmas agências de inteligência de que a Rússia interferiu na eleição presidencial de 2016.

A CNN está analisando as centenas de documentos divulgados pelo governo Trump na noite de quinta-feira. A seguir, os principais pontos.

A Casa Branca desclassificou relatórios de inteligência afirmando que as urnas eletrônicas americanas podem ser alvo de invasões por pelo menos cinco potências estrangeiras.

Um relatório do Conselho Nacional de Inteligência, de janeiro de 2020, concluiu que Rússia, China, Irã e Coreia do Norte "têm capacidade de acessar e potencialmente manipular" dados eleitorais dos EUA, como bancos de dados centralizados de registro de eleitores e listas utilizadas nos locais de votação.

No entanto, o relatório ressalta que, como as eleições americanas são descentralizadas e administradas por estados e condados, eventuais invasões provavelmente seriam localizadas e "seria difícil manipular em escala suficiente para alterar o resultado da eleição".

A Casa Branca também afirma que os documentos mostram que a Venezuela realizou um experimento com máquinas de votação capaz de trocar votos sem que isso fosse detectado por auditorias posteriores ou recontagens manuais.

Essas máquinas foram fabricadas pela Smartmatic, empresa que aliados de Trump acusaram falsamente de fraudar a eleição de 2020, principalmente por seus antigos vínculos com a Venezuela.

Um memorando da CIA, desclassificado em junho, afirma que a comunidade de inteligência dos EUA concluiu, em 2006, que a Venezuela e a Smartmatic não tinham capacidade de manipular resultados eleitorais fora da Venezuela.

O relatório acrescenta que, quando a Venezuela manipulou eleições em seu próprio território, isso só foi possível porque autoridades locais tinham acesso interno aos sistemas de votação — algo que venezuelanos obviamente não teriam nas eleições americanas.

Atualmente, o software da Smartmatic é utilizado apenas em uma jurisdição dos EUA: o condado de Los Angeles. Em declaração anterior à CNN, um porta-voz da empresa afirmou que a Smartmatic "rejeita veementemente as acusações completamente infundadas e repetidamente desmentidas sobre a integridade de seus sistemas eleitorais."

Há vulnerabilidades documentadas nos sistemas eleitorais dos EUA, mas ninguém — incluindo Trump e seus aliados — apresentou provas de que essas falhas tenham sido exploradas com sucesso por um adversário estrangeiro para alterar votos.

Essas vulnerabilidades, contudo, foram citadas em diversos processos movidos por aliados de Trump desde 2020 com o objetivo de questionar o resultado daquela eleição.

A Casa Branca afirma que os documentos alegam que a China obteve mais de 200 milhões de registros de eleitores americanos entre 2020 e 2024.