Priorizar nos meus resultados Google Dirigido pelo vencedor do Oscar Alex Gibney, o novo documentário sobre Elon Musk causou  alvoroço na estreia no Festival de Veneza, na terça-feira, 8, onde foi aplaudido de pé por cerca de cinco minutos. Com quase quatro horas de duração, Musk revisita a ascensão do bilionário e reúne depoimentos de pessoas que fizeram parte de sua trajetória.

Entre os assuntos tratados está a relação de Musk com o governo americano. A produção relembra os contratos da SpaceX com a Nasa e o setor militar e questiona uma apresentação da Tesla, em 2013, na qual o empresário prometeu uma tecnologia capaz de trocar a bateria de um carro em apenas 90 segundos. A tecnologia nunca foi implementada comercialmente.

A vida pessoal também ganha destaque. Ashley St Clair, mãe de um dos filhos de Musk, afirma que o empresário teria manifestado preocupação com um possível colapso da civilização e falado em ter “uma legião de filhos antes da guerra civil”. Musk tem 14 filhos publicamente conhecidos. St Clair também relata que, antes da eleição presidencial americana de 2024, ele demonstrava confiança na vitória de Donald Trump. Em uma das mensagens enviadas a ela, teria escrito: “Tenho 10 mil lasers no espaço”. O documentário não esclarece o significado da declaração.

O filme ainda aborda a construção da imagem pública de Musk. Justine Musk, sua primeira mulher, afirma que ele escolhia a maneira de se vestir, dizendo a ela: “Não posso parecer descolado ou moderno, pois preciso parecer um engenheiro”.

Já o vencedor do Nobel Geoffrey Hinton, uma das principais referências em inteligência artificial e conhecido como “padrinho da IA”, demonstra preocupação com a possibilidade de Musk utilizar dados e ferramentas de IA para exercer influência sobre futuras eleições. “Para mim, está bastante claro que Trump está determinado a corromper as eleições de meio de mandato. Se você quisesse corromper essas eleições e quisesse usar IA, tudo o que precisaria fazer seria obter informações detalhadas sobre os cidadãos americanos. E o que Doge fez parece exatamente o que você faria”, diz Hinton.

Musk está previsto para chegar aos cinemas dos Estados Unidos em 16 de agosto, mas a repercussão já ganhou um capítulo judicial. Elon Musk ameaçou processar os responsáveis por Musk, alegando que o filme contém informações falsas e potencialmente difamatórias, sobretudo na abordagem de sua atuação na eleição presidencial americana de 2024. Os realizadores, por sua vez, defenderam o longa como uma investigação jornalística baseada em fatos e protegida pela Primeira Emenda dos EUA.

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