Colega de cockpit impediu catástrofe após piloto esfaquear tripulante e tentar sabotar aeronave, segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
Compartilhar matériaUma catástrofe aérea horrível em um avião com destino a Tel Aviv foi evitada em uma reviravolta surpreendente na quarta-feira (30), quando passageiros e tripulantes invadiram a cabine e retomaram o controle da aeronave.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que um piloto esfaqueou seu colega em um avião da Flydubai e tentou "sabotar o sistema da aeronave". O incidente fez a aeronave cair milhares de quilômetros de altitude em dois minutos, causando pânico e forçando o voo a realizar um pouso de emergência na Arábia Saudita.
O piloto que supostamente tentou derrubar o avião ainda não foi identificado.
O outro piloto, identificado como Smit Machchhar, da Índia, reagiu e "conseguiu evitar um desastre como o do 11 de setembro", disse Netanyahu ao Jim Sciutto, da CNN. "O que distingue este incidente dos outros ataques trágicos é que desta vez os mocinhos venceram", afirmou Netanyahu.
Um porta-voz da companhia aérea disse que os membros da tripulação da Flydubai em serviço "garantiram com sucesso" a segurança da aeronave e a pousaram em segurança no Aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita, onde os passageiros embarcaram em outro voo para retornar a Israel.
O suspeito do ataque foi detido e está sendo interrogado pelas autoridades sauditas, acrescentou Netanyahu, mas ainda restam dúvidas sobre como o incidente se desenrolou e o que motivou o piloto a instigar o violento confronto.
O voo FZ1073 da Flydubai partiu de Dubai às 6h05 no horário local e começou a voar em direção ao oeste rumo ao seu destino próximo a Tel Aviv. Cerca de duas horas após a decolagem, a aeronave começou a perder altitude rapidamente e fez uma curva acentuada para o norte, conforme mostraram os dados de rastreamento de voo. Ela desceu 5 mil quilômetros em pouco menos de dois minutos.
O voo emitiu um chamado de socorro às 8h31, minutos antes de acionar o código 7500 — o código da Organização de Aviação Civil Internacional para sinalizar o sequestro de uma aeronave.
Passageiros descreveram cenas caóticas a bordo do avião enquanto ele mergulhava em queda livre.
"A gente simplesmente sentiu o avião cair completamente e começar a girar um pouco, e todo mundo estava gritando, havia crianças chorando", disse a passageira Mika Bauman à CNN. "Eu tinha certeza de que ia morrer", afirmou ela.
Outros passageiros tomaram a iniciativa de invadir a cabine e enfrentar o atacante.
Yaniv Hayoun, que relatou a Netanyahu como imobilizou o suposto atacante com uma gravata e o arrastou para fora da cabine com a ajuda de outros passageiros. Hayoun disse que então pegou os controles do avião para ajudar a recuperar o controle da aeronave.
O Dr. Shota Musaev, dentista que estava a bordo, disse à CNN que amarrou o atacante usando cabos de fone de ouvido e abraçadeiras plásticas. Em seguida, começou a socorrer o piloto ferido.
Mesmo após o atacante ser contido, os passageiros continuaram aterrorizados.
"Só havia deserto abaixo de nós; temíamos ser levados a um país inimigo ou pousar no meio do deserto", disse Assaf Rajuan à CNN. "Não sabíamos em quem confiar."
Em mais um acontecimento extraordinário, havia pessoas a bordo do voo que sabiam pilotar um avião e conseguiram pousar a aeronave em segurança.
Netanyahu e a Flydubai confirmaram que pilotos reserva que estavam na área de passageiros conseguiram retomar o controle da aeronave. O voo foi desviado para o Aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita, onde pousou às 9h54.
David Soucie, analista de segurança aérea da CNN, disse que era bastante incomum haver pilotos adicionais em serviço a bordo de voos "a menos que estejam sendo reposicionados para outros voos".
Um vídeo compartilhado nas redes sociais e verificado pela CNN mostrou uma cena macabra a bordo após o ataque, em que um piloto gravemente ferido aparece deitado no chão da aeronave, com o rosto contorcido de dor e parcialmente coberto por uma máscara.
O homem aparece segurando o torso com as mãos ensanguentadas. Ele parece estar com dor, mas consciente. Vários passageiros são vistos ajudando-o e monitorando seus sinais vitais.


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