Após conseguir mudar o próprio nome e excluir o sobrenome materno dos registros, Heloísa recorre da decisão que manteve a identificação da mãe em documen...

26/07/2026 22h39 Atualizado 26/07/2026

O relato da jovem que trava batalha judicial para retirar nome da mãe de todos documentos

Heloísa Rodrigues, de 28 anos, trava uma batalha judicial para retirar o nome da mãe de todos os seus documentos. A biomédica e estudante de Ciências Econômicas afirma que a medida é uma tentativa de romper definitivamente com um passado marcado por violência, maus-tratos e abusos sexuais que, segundo ela, ocorreram durante a infância e a juventude.

Nascida como Larissa, ela conseguiu na Justiça, em 2024, alterar o prenome e retirar o sobrenome materno. Mas teve negado o pedido para excluir também o nome da mãe dos registros civis, como a certidão de nascimento.

"Eu vou em lugares, precisa confirmar o nome da mãe, precisa escrever o nome dela. Em hospital vem o nome dela na pulseira", relatou Heloísa. Para ela, o vínculo registrado nos documentos não representa a relação vivida ao longo da vida.

"Nunca recebi um abraço".

Ao ser questionada se prefere não ser filha de ninguém a ser filha da mulher que a criou, respondeu: "Sim".

Histórico de denúncias

Heloísa afirma que sofria agressões físicas desde a infância. Segundo seu relato, a situação se agravou após a separação dos pais, quando ela tinha cerca de 5 anos.

"Foi quando a gente meio que acordou com ela colocando fogo na nossa cama. Ele me tirou, e queimou a cabeça dele, não cresce cabelo por causa de queimadura. Além disso, queimou um pouquinho da minha nádega. Depois desse dia, eu não vi mais ele dentro de casa",

Documentos do Conselho Tutelar, aos quais o Fantástico teve acesso, mostram que a então Larissa começou a denunciar a mãe ainda criança. Em abril de 2010, ela ligou para o serviço de denúncias para relatar maus-tratos contra os irmãos. No mês seguinte, registrou uma nova denúncia envolvendo agressões contra uma das irmãs.

Os registros mostram que a mãe foi convocada pelo Conselho Tutelar e chegou a assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a zelar pela filha. Em agosto daquele ano, o pai de Larissa procurou o órgão em busca de atendimento psicológico para a menina, que apresentava quadro de depressão.

Acusações de abuso sexual

Além dos maus-tratos, Heloísa afirma ter sofrido abusos sexuais desde os 9 anos. Segundo seu relato, a mãe teria ignorado as denúncias feitas pela filha e, posteriormente, permitido situações que resultaram em novos abusos.

"O primeiro abuso foi com 9 anos, tinha um moço que cuidava de mim, e aí ela me deixou lá na casa dele, tinha a mulher e a filha, eles tinham saído. Eu cheguei em casa, falei para ela. A minha mãe me espancou e nunca a gente não falou mais desse assunto", relata Heloísa.

Em 2017, já adulta, ela reuniu vídeos, áudios e outras provas que diz possuir e publicou um relato nas redes sociais. A denúncia chegou ao Ministério Público de São Paulo e resultou na investigação de suspeitos.

Dois homens foram julgados e condenados. Um deles recebeu pena de 31 anos e oito meses de prisão por violência sexual contra as três irmãs. Outro foi condenado a nove anos e quatro meses por violência sexual contra duas das irmãs mais novas. Ambos recorrem em liberdade, segundo a reportagem.

No processo criminal, a mãe foi ouvida apenas como testemunha.

O relato da jovem que trava batalha judicial para retirar nome da mãe de todos documentos — Foto: Reprodução/TV Globo

A tentativa de apagar o vínculo registral