A tensão de Hubble é hoje um dos temas centrais da cosmologia: não se discute se o universo se expande, mas qual é exatamente a taxa dessa expansão, a chamada constante de Hubble, cujo valor difere de acordo com o método de medição utilizado. O que é a constante de Hubble e por que existe... The post O Universo parece estar se expandindo mais rápido do que a física prevê, e o telescópio James Webb reforçou as evidências de que o problema não está nas mediçõe

A constante de Hubble mede o quanto o universo se expande: indica a velocidade com que galáxias se afastam a grandes distâncias

O Universo parece estar se expandindo mais rápido do que a física prevê, e o telescópio James Webb reforçou as evidências de que o problema não está nas medições do Hubble - Créditos: depositphotos.com / den-belitsky Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

A tensão de Hubble é hoje um dos temas centrais da cosmologia: não se discute se o universo se expande, mas qual é exatamente a taxa dessa expansão, a chamada constante de Hubble, cujo valor difere de acordo com o método de medição utilizado.

A constante de Hubble mede o quanto o universo se expande: indica a velocidade com que galáxias se afastam a grandes distâncias. Valores maiores implicam um cosmos que cresce mais rápido no presente.

Métodos independentes produzem resultados distintos: cerca de 67 km/s/Mpc a partir do universo primordial, e cerca de 73 km/s/Mpc a partir de medidas locais. Essa diferença é estatisticamente relevante e desafia o modelo cosmológico padrão ΛCDM.

O método local usa a escada de distâncias cósmicas, baseada em Cefeidas e supernovas do tipo Ia. As Cefeidas têm uma relação bem calibrada entre período de pulsação e luminosidade, permitindo estimar distâncias.

O método do universo primordial analisa a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, medida com alta precisão por missões como Planck. Ajustando esses dados ao ΛCDM, infere-se a taxa de expansão atual, que sai menor que a obtida pela escada de distâncias.

Uma hipótese era que o Telescópio Espacial Hubble superestimasse o brilho de Cefeidas em campos estelares densos, devido à mistura de luz de estrelas vizinhas. Isso faria as Cefeidas parecerem mais próximas, elevando artificialmente a constante de Hubble.

O James Webb, com resolução infravermelha superior, comparou medições de Cefeidas feitas pelo Hubble com novas observações. Estudos recentes, incluindo trabalho liderado por Adam Riess em 2024, indicam que esse efeito de aglomeração não explica a discrepância completa entre 67 e 73 km/s/Mpc.

🚨: The James Webb Space Telescope confirms that there is something seriously wrong with our understanding of the universe, and reveals that there is an unknown physics. pic.twitter.com/d44YXfnjCy

Os resultados do James Webb tornam a escada de distâncias baseada em Cefeidas e supernovas mais confiável quanto à contaminação por estrelas. Persistem, no entanto, outras possíveis fontes de erro e cenários físicos alternativos em estudo.

Calibração de Cefeidas in diferentes tipos de galáxias e metalicidades.

Padronização fina de supernovas Ia e possíveis variações intrínsecas.

Efeitos de poeira e gás sobre o brilho observado.

Indicadores independentes, como masers, lentes gravitacionais fortes e ondas gravitacionais padrão-sirene.

Extensões do ΛCDM, como energia escura precoce ou novas partículas relativísticas.

A tensão surge dentro de um modelo que explica bem a estrutura em grande escala, a composição de matéria e energia e a evolução global da expansão. Ver um parâmetro-chave destoar força uma reavaliação cuidadosa de dados e teorias.

Em 2026, a discrepância entre ~67 e ~73 km/s/Mpc segue como um teste crítico do ΛCDM. Novas medições, com telescópios atuais e futuros, indicarão se restam apenas detalhes técnicos a corrigir ou se estamos diante de pistas concretas de nova física cosmológica.