Com adesões de 20 estados e do Distrito Federal, iniciativa da SBPC leva 117 propostas da comunidade científica ao debate eleitoral e convida candidaturas e s...

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Com adesões de 20 estados e do Distrito Federal, iniciativa da SBPC leva 117 propostas da comunidade científica ao debate eleitoral e convida candidaturas e sociedade a participarem

O Observatório das Eleições 2026 da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está ampliando sua presença pelo País. Lançada em 17 de agosto, a iniciativa já reúne 129 candidaturas de 20 estados e do Distrito Federal que assumiram publicamente o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional.

As adesões abrangem candidatas e candidatos a diferentes cargos e são publicadas, por estado e por cargo, no site do Observatório, com atualização diária e acesso aberto. Assim, qualquer pessoa pode conhecer quem já se comprometeu e acompanhar a evolução das adesões ao longo da campanha.

Mais do que reunir assinaturas, a proposta é colocar em circulação as 117 propostas do caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos” e promover o diálogo entre o que a ciência propõe, as questões e demandas da sociedade e aquilo que as candidaturas se comprometem a fazer.

“O Observatório das Eleições é o passo que transforma o caderno em ação. As ‘Vozes da Ciência’ não podem se encerrar no papel: o Observatório leva as 117 propostas para o debate eleitoral e cria um espaço público no qual candidatas e candidatos podem assumir compromissos com a ciência, a democracia e a soberania, e a sociedade pode acompanhar e cobrar esses compromissos, eixo por eixo”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.

Das propostas ao compromisso

O Observatório é um desdobramento do ciclo “Vozes da Ciência”, realizado pela SBPC entre novembro de 2025 e maio de 2026. Ao longo de seis meses, 13 mesas de debate reuniram mais de 60 pesquisadores de diferentes áreas e regiões do País para discutir desafios brasileiros em temas como educação, meio ambiente, inovação, saúde pública, geopolítica, cultura, democracia e soberania.

As discussões deram origem ao caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne 117 propostas em sete eixos: 1) CT&I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.

Agora, o Observatório leva essas propostas para as eleições e convida candidatas e candidatos a dizerem publicamente o que pretendem fazer.

Podem aderir ao Termo candidaturas a deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Ao assiná-lo, elas assumem cinco compromissos: tratar a Ciência como política de Estado, com financiamento público, previsível e de longo prazo; fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos; defender a autonomia das universidades e institutos públicos e a liberdade de pesquisa; proteger a democracia, suas instituições e a Constituição de 1988; e se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.

“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, afirma Garcia.

Ciência como projeto de Nação

Embora reúna propostas para diferentes áreas das políticas públicas, a agenda parte de uma questão estruturante: Ciência, Tecnologia e Inovação como Projeto de Nação.

Para as candidaturas à Presidência da República e aos governos estaduais, por exemplo, o Vozes da Ciência propõe que CT&I esteja entre as prioridades protegidas de bloqueios orçamentários e que os governos apresentem, nos primeiros 180 dias de mandato, propostas de orçamento plurianual para o setor.

O documento também propõe apoio ao Projeto de Lei nº 5.876/2016, que prevê a aplicação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal em CT&I, e a ampliação do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Pesquisa e Desenvolvimento.

Para quem disputa vagas no Legislativo, estão entre as propostas atuar contra medidas que reduzam ou contingenciem recursos da Ciência e apoiar uma emenda constitucional que estabeleça um piso mínimo de investimento em CT&I, nos moldes dos mecanismos existentes para Saúde e Educação.

O Observatório também é de quem vota

A iniciativa não se limita, porém, ao compromisso das candidaturas. O Observatório também convida a sociedade a participar do debate.

Organizado a partir dos sete eixos do Vozes da Ciência, o portal oferece propostas e questões que podem subsidiar conversas com candidatas e candidatos em debates, entrevistas, encontros e atividades de campanha. A ideia é contribuir para que diferentes setores da sociedade conheçam as posições de quem disputa o voto, façam suas próprias perguntas e possam acompanhar posteriormente os compromissos assumidos.