CNN Brasil assistiu a uma das apresentações da turnê “The Art of Loving”, do disco que fez a artista britânica ganhar destaque global
Compartilhar matériaPoucos shows carregam tanto interesse em 2026 quanto os da cantora britânica Olivia Dean. Ao menos esse é o diagnóstico da revista americana Billboard, que tratou recentemente a turnê mundial “The Art Of Loving”, do segundo disco da artista londrina, como o “ingresso mais disputado” deste ano.
A afirmação é ousada, diante de um ano com turnês colossais como a do BTS pós-serviço militar, a volta aos palcos de Harry Styles e o "baile inolvidable" de Bad Bunny. Mas muitos números sustentam que a cantora eleita “Artista Revelação” no último Grammy tem atraído uma atenção fora do comum.
Olivia Dean iniciou, no último fim de semana, o trecho norte-americano de sua turnê, que teve todas as datas esgotadas em minutos, incluindo quatro noites no Madison Square Garden, em Nova York.
O cenário não foi diferente no trecho europeu que antecedeu a chegada aos EUA. A cantora esgotou uma residência de seis noites na principal arena de Londres, a O2. Foi um recorde para a estreia de uma artista feminina na casa, com cerca de 120 mil ingressos vendidos – equivalente a mais do que o público total de um dia de Lollapalooza Brasil ou Rock in Rio, por exemplo.
Depois dos EUA e Canadá, o próximo destino de Olivia Dean será a Austrália, onde já possui datas anunciadas (e esgotadas) para outubro. E conforme a cantora risca continentes da lista, aumenta a expectativa dos fãs brasileiros para uma potencial inclusão da América Latina na rota dos shows – seja no final deste ano ou somente em 2027.
Basta entrar em qualquer publicação dela no Instagram e será possível encontrar uma enxurrada dos tradicionais comentários “Come to Brazil”. Os fãs sabem que a cantora ama e possui uma conexão com o país.
A CNN Brasil acompanhou uma das apresentações de Olivia Dean na turnê “The Art of Loving”, na arena O2, em Londres. Veja mais detalhes abaixo sobre como é o show.
Para a turnê do disco "The Art of Loving", Olivia selecionou uma série de artistas que dialogam com seu som indie pop e neo soul para os shows de abertura. Na quinta noite da residência em Londres, a sul-africana Alice Phoebe Lou tentou animar o público em um bom setlist de meia hora – espremida entre a boca de cena e a cortina que escondia o palco de Olivia. Mas o público não se engajou, prestando pouca atenção às músicas que antecederam o show principal.
Além da abertura, a trilha sonora escolhida para ambientar o público antes do show incluiu algumas referências musicais de Olivia, com destaque para Clube da Esquina. Aliás, na primeira vez que veio ao Brasil, ela chegou a criar uma playlist com suas músicas brasileiras preferidas.
Sem um minuto de atraso, a apresentação começa com a silhueta da cantora por trás das cortinas gigantes que cobrem o palco, que canta à capela “The Art of Loving (Intro)” – a abertura do álbum que a colocou na primeira prateleira da música mainstream global.
O efeito da silhueta com as cortinas está longe de ser novidade em shows e sobram exemplos que vão desde Taylor Swift à brasileira Liniker, mas funciona. Quando enfim as cortinas se abrem, ao som dos primeiros acordes de violão do single “Nice To Each Other”, pela primeira vez se sente algum calor do público.
Olivia surge ao centro do palco, em um pedestal circular. Desenhado pelo designer Daniel Richardson, o palco parece dialogar com a estrutura de auditórios que se via em apresentações de artistas na televisão dos anos 1960 e 1970 – período do qual sobram referências na identidade estética do último álbum da cantora.
O figurino dá continuidade a esse diálogo vintage. Em colaboração com a estilista Simone Beyene, que a acompanha desde o início da carreira, Olivia surge com um vestido (o primeiro da noite) vinho de Vivienne Westwood, com aplicações de lantejoulas e miçangas.
Um post compartilhado por Vivienne Westwood (@viviennewestwood)
Também chama atenção o fato de Olivia abrir mão dos tradicionais telões nas laterais do palco. A equipe criativa da cantora trabalhou em colaboração com os estúdios FRAY e 1826 para construir um sistema no qual as projeções ao vivo são feitas em grandes cortinas translúcidas que contornam a banda.
O objetivo, segundo os responsáveis, era manter a atenção do público centrada no show, sem a disputa com as telas laterais. Perdeu apenas a disputa com as telas que cada fã carregava nas próprias mãos.
Um post compartilhado por FRAY Studio (@fray_studio)
Olivia emendou a abertura em outros dois singles do álbum, “Lady Lady” e “So Easy (To Fall in Love)”, antes de interagir pela primeira vez com o público. “É tão bom estar em casa”, disse, antes de começar “Close Up”, quando a qualidade da banda que a acompanha começa a se sobressair, com destaque para o pianista Deschanel Gordon, que já foi premiado pela BBC como jovem talento de jazz.
O setlist (veja completo ao final da matéria) faz jus ao disco que acumulou prêmios e elogios da crítica musical. Das 12 canções de “The Art Of Loving”, apenas “Something Inbetween” não tem sido apresentada ao vivo. O repertório é complementado com músicas do álbum de estreia dela, “Messy” (2023), e EPs e singles anteriores.
“O principal motivo de eu ter escrito a próxima canção foi tentar descobrir o que o amor realmente significa para mim. Acho que é uma palavra usada com muita frequência, mas, na verdade, não nos ensinam como vivê-lo. Acredito que uma das melhores maneiras de amar alguém é simplesmente querer vê-la ser a melhor versão de si mesma, vê-la brilhar. Esta é sobre eu perceber que também mereço isso”, diz antes de cantar “Let Alone The One You Love”.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário