Em uma pesquisa, encontrei comentários inusitados de oficiais americanos sobre seus pares brasileiros nos anos 1960

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28.ago.2026 às 10h00

Adriana Maximiliano Jornalista carioca radicada nos EUA, edita livros de economia e escreve crônicas sobre o cotidiano, literatura e História

Há alguns anos, fui contratada para fazer uma pesquisa em arquivos diplomáticos dos anos 1960. No meio de milhares de memorandos sobre as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, encontrei comentários inusitados de oficiais americanos sobre seus pares brasileiros: "Está ficando careca", "Tem um carro muito velho", "Conta piadas de mau gosto", "Gosta de ver novela com a mulher". Passei a fazer duas pesquisas: a encomendada e uma outra sobre fofocas velhas da diplomacia. Numa época pré-internet, quando não era fácil obter fotografias, as descrições físicas tinham destaque nos relatórios.

"Baixo, roliço, calvo e de óculos, o embaixador não tem um aspecto particularmente agradável. Em contraste, sua esposa é atraente, grande e de aparência germânica", dizia um memorando. No caso de um general, o que me prendeu foi a capacidade do americano de resumir a dinâmica de um casamento em poucas linhas: "Agressivo e enérgico, ele certa vez pulou de paraquedas após ser desafiado. [...] Sua mulher, Maria, é bastante nervosa." Saltam aos olhos, nesses documentos, os casos de infidelidade conjugal. Sobre um embaixador que foi transferido de Paris para Santiago, o americano escreveu: "Ele é muito simpático e hábil, mas foi transferido por indiscrições, como não apenas manter uma amante, mas tê-la como anfitriã em funções oficiais. Sua mulher ficou no Rio." Entre tantos documentos, fiquei particularmente interessada em um pedido de d. Yolanda Costa e Silva. Mulher do marechal Arthur da Costa e Silva, ela estava prestes a se tornar primeira-dama do Brasil quando resolveu ligar para a embaixada americana para falar sobre sua visita aos Estados Unidos, em janeiro de 1967. "Como sempre, d. Yolanda foi muito cortês, mas também bem franca", escreveu o oficial.

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Poucos meses antes de assumir a presidência da Legião Brasileira de Assistência (LBA), d. Yolanda deixou claro que não queria visitar instituições de caridade ou monumentos. "Ela quer mais tempo livre para compras. E quer fazer isso de salto baixo, sem precisar se trocar correndo para eventos oficiais. Como cicerone, d. Yolanda pediu alguém que compreenda coisas mundanas, como pés doloridos e o desejo por liberdade de movimento." A expressão "coisas mundanas" me chamou a atenção aqui. Entre questões maritais, embaixadores calvos e a vontade de escapar às formalidades... nada parece mundano no jogo do poder.

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