Ao recuperar disciplina fiscal, o Espírito Santo reconquistou credibilidade de sua gestão
Economista, ex-secretária do Tesouro Nacional
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27.jun.2026 às 23h00
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O Brasil costuma olhar para suas crises institucionais como se fossem permanentes. A experiência recente do Espírito Santo mostra algo diferente: instituições podem ser reconstruídas quando há liderança política, disciplina fiscal e cooperação entre Estado e sociedade.
No início dos anos 2000, o Espírito Santo viveu um momento de profunda fragilidade institucional. Episódios extremos, como o assassinato de um juiz, expuseram a presença do crime organizado e colocaram em dúvida a capacidade de o poder público de exercer plenamente sua autoridade. As empresas saíam ou criavam vínculos de dependência de incentivos fiscais decididos dentro da Assembleia, de modo casual, minando a capacidade arrecadatória do estado.
Aqueles acontecimentos revelavam um problema mais amplo: instituições fragilizadas, baixa coordenação entre órgãos públicos e um ambiente de incerteza que comprometia a confiança da sociedade e dos investidores.
O que veio depois, porém, merece ser lembrado.
A partir daquele momento, o Espírito Santo iniciou um processo consistente de reconstrução institucional. Ao longo do tempo, consolidou-se um conjunto de mudanças estruturais que combinaram disciplina fiscal, melhoria da governança pública e fortalecimento das políticas de segurança.
O primeiro pilar dessa reconstrução foi o reequilíbrio das contas públicas. O estado adotou uma estratégia de ajuste fiscal baseada em controle do gasto, reorganização administrativa e fortalecimento da gestão financeira. A previsibilidade das contas públicas vai além de um indicador contábil. Ela define a capacidade do Estado de planejar, investir e responder a crises. Ao recuperar a disciplina fiscal, o Espírito Santo reconstruiu também a credibilidade de sua gestão.
Essa agenda contou com a condução do então governador, Paulo Hartung. Desde sua experiência como prefeito de Vitória, ele sustentava que o equilíbrio das contas públicas representava o pilar central para a construção de um Estado estratégico, capaz de planejar, investir e executar políticas públicas de forma efetiva, melhorando a vida das pessoas. As ações foram duras, mas permitiram a volta do pagamento regular dos salários do funcionalismo.
É para as pessoas —não apenas para alguns grupos— que o Estado existe.
O segundo pilar foi a melhoria da governança pública. Planejamento, transparência, fortalecimento dos órgãos de controle e coordenação institucional passaram a ocupar lugar central na administração estadual. A profissionalização da gestão e a definição clara de prioridades fortaleceram a capacidade de execução das políticas públicas e ampliaram a eficiência do Estado. O Espírito Santo conhecia suas vantagens, oportunidades e as fragilidades que precisava atacar. O que escapava dessa visão não entrava na esteira da ação governamental.
O terceiro pilar foi o fortalecimento da presença institucional do Estado no campo da segurança e da Justiça. O combate ao crime organizado exigiu integração entre Executivo, Judiciário, Ministério Público e forças policiais. O esforço conjunto restabeleceu a autoridade das instituições e reforçou a confiança de que as regras voltariam a ser respeitadas.
Mas há um aspecto frequentemente menos lembrado nesse processo: o papel da sociedade.




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