A chance de uma falta ou bola rebatida aumenta. E a chance de gol?

Fabio Takahashi trabalhou na Folha por 18 anos, como repórter e editor do DeltaFolha. É gerente de dados da Loft e editor do site Portas. Daniel Mariani é jornalista de dados e cobre sua terceira Copa do Mundo

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25.jun.2026 às 22h45

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Daniel Mariani Jornalista de dados, cobre sua terceira Copa do Mundo

Um latereio ocorre quando, em vez de o lateral ser cobrado para o pé de um companheiro próximo, se joga a bola na área adversária, como em um escanteio. A palavra, então, é a junção de lateral com escanteio. O "almojanta" do futebol.

É um lance feio. A bola vem devagar, sem efeito, por cima, e quem a cabeceia o faz geralmente para trás. Apesar disso, é cada vez mais utilizado.

Ocorreu uma vez por jogo em 2014 e, nesta Copa, já passa de duas. A mesma tendência aparece no Campeonato Inglês, principal liga do mundo, onde quase triplicou nas últimas duas temporadas. Mas, estética à parte, o latereio é útil?

Para responder, precisamos de uma base de comparação: o lateral cobrado da forma usual, para o pé de um companheiro. Só que não podemos colocar todos os laterais nessa balança, já que nem todo arremesso tem como virar um latereio, apenas os próximos à área adversária.

Por isso, nosso parâmetro é os laterais comuns cobrados nos últimos 35 metros do campo.

Nas últimas quatro Copas, são pouco mais de 330 latereios contra quase 3.000 laterais comuns.

Com esses dois grupos, a primeira pergunta que fazemos é se o latereio mantém a posse de bola. Não mantém. Um lateral comum encontra um companheiro em quase nove de dez cobranças. O latereio, em menos da metade. Mas a desvantagem para por aí.

Considerando os 15 segundos (tempo médio de uma jogada) após a cobrança, há 73 casos de finalização a partir do latereio —20% das vezes, quase três vezes mais que um lateral comum (7%).

Quanto a gols, embora a amostragem seja pequena, a história se repete: vantagem da ordem de quatro vezes e meia (1,49% contra 0,34%) em relação ao lateral comum.

No fim das contas, perder em posse de bola não conta tanto, pois mantê-la não é o plano: o latereio brilha na confusão. Quer que a bola pingue na área adversária num vaivém de cabeçadas, rebotes e desvios dos dois times, até cair limpa para um chute.