Livro "Igreja Sob Medida" ajuda a escolher uma comunidade à luz do evangelho
Casada e mãe de três, Melina Cardoso é intercessora, jornalista e bacharel em Teologia. Traz informações e histórias sobre o universo evangélico
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10.jul.2026 às 11h29
Antes de me converter, aos 21 anos, eu tinha certeza de que todo pastor era ladrão e de que todo evangélico era extremamente ingênuo por entregar parte de seu suado dinheiro em um templo.
Assim como a maioria das pessoas, fui contaminada pelo mau testemunho de lideranças que desviavam dinheiro e agiam em desacordo com a Palavra.
"Quando a má administração toma conta, não é apenas o dinheiro que se perde, mas a credibilidade da igreja diante do mundo e, pior ainda, a confiança dos membros que a sustentam em fé e sacrifício", afirmam Rodrigo Bibo e Luiz Henrique no livro "Igreja Sob Medida" (Thomas Nelson Brasil).
Para Luiz Henrique, a transparência financeira não deveria ser um assunto delicado para a igreja, mas uma consequência natural do próprio evangelho.
"Aquilo que os irmãos entregam não pertence aos líderes, mas à missão de Deus confiada à igreja. A transparência também fortalece tanto a comunidade quanto o testemunho público da igreja, ainda mais num contexto marcado por desconfiança, devido a escândalos envolvendo dinheiro e abuso religioso", diz.
Para Rodrigo Bibo, quanto mais claros forem os processos administrativos, menor será o espaço para suspeitas desnecessárias. Ele sugere assembleias que apresentem os gastos, relatórios financeiros acessíveis e um ambiente em que os membros possam perguntar e a liberdade não represente ameaça. "O evangelho nunca teve medo da luz; ao contrário, ele nos chama a viver de maneira íntegra diante de Deus, da comunidade e da sociedade", diz.
Na obra, que traz o subtítulo "Como escolher uma Igreja à Luz do Evangelho", os autores reforçam que a pregação cristocêntrica é indispensável. Jesus não é só a cereja do bolo, mas a receita inteira.
"O evangelho nunca supôs uma igreja de pessoas perfeitas", lembra Bibo. Ele cita os puxões de orelha que os discípulos levaram e as cartas em que Paulo denunciava conflitos, orgulhos e pecados. "Defendemos que uma igreja saudável não é uma igreja sem conflitos, mas uma igreja que aprende a lidar com eles".
Sem ser "sommeliers de culto alheio", os autores dizem que a unidade da igreja nunca foi construída sobre a uniformidade, mas sobre o senhorio de Cristo. "Quando compreendemos isso, deixamos de perguntar se a comunidade é exatamente como gostaríamos e passamos a perguntar como podemos servir aqueles que Deus reuniu conosco ao redor da mesma mesa", destaca Luiz.
"Não existe missão autêntica à distância; ela sempre exige presença, relacionamento e entrega. É também por meio desses vínculos que a igreja encarna o evangelho diante da vizinhança", diz o livro.
Em um país que a cada dia abre 17 novas igrejas (segundo levantamento da FAPESP), a obra critica o evangelho coaching, os palcos com grandes plateias –e pouco evangelho– e a liderança que ostenta riqueza e "fila de súditos".




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