Daniel Nolasco se destacou com provocador filme queer

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O cinema brasileiro vai bem, e vai conjugando politização, lirismo, luto e força estética. Uma boa amostra dessa ótima fase é o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que chegou ao fim neste sábado (19) coroando "Se Eu Fosse Vivo... Vivia" como melhor filme.

Em sua principal mostra, a competitiva de longas, tanto o trabalho de André Novais Oliveira quanto o de Daniel Nolasco, "Pequenas Tragédias", que mais acumulou troféus na noite, estão entre os melhores filmes realizados no Brasil no século 21.

O filme de Nolasco tem cenas de sexo homossexual ofensivas aos padrões morais da cidade onde foi filmado, a pequena Catalão, em Goiás. Mas é bem menos audacioso que "Vento Seco", uma coleção de cenas muito bem filmadas de sexo explícito que escandalizou conservadores da cidade que, entretanto, conferiram a cópia pirata que circulou em suas redes.

"Pequenas Tragédias" tem tudo para repetir a contradição: orgulho por ter um diretor celebrado na cidade, vergonha pela homossexualidade aberta que o filme promove com talento —o que, sabemos, amplifica seu poder de provocação.

O excelente ator Guilherme Theo encarna o próprio Daniel Nolasco com cinismo e ironia. Num momento dos mais comentados no festival, ele interrompe o que parecia ser o início de uma cena de sexo explícito pois havia prometido ao distribuidor um filme mais contido.

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Entretanto, membros eretos masculinos são vistos com certa generosidade. Se não há cenas mais explícitas, o filme não deixa de ser extremamente provocador ao público mais conservador.

Dividido entre um prólogo, cinco capítulos, um entreato e um epílogo, o filme segue um itinerário que vai de um humor inteligente à melancolia da vida queer numa cidade do interior, de onde se foge se há o desejo da liberdade de costumes.

Talvez "Se Eu Fosse Vivo... Vivia", em comparação, seja um pouco menos inventivo e bem menos audacioso, embora seja igualmente valioso. Fala de uma longa relação amorosa, tanto em seus primórdios, nos anos 1970, quando 50 anos depois, quando Gilberto e Jacira estão idosos e com problemas de saúde.

O elenco é notável. Não só Norberto Novais Oliveira, pai de André Novais, e Conceição Evaristo, que interpretam o casal idoso, mas também suas versões jovens, Jean Paulo Campos e Tainá Evaristo.

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Os jovens brilham na breve sequência do baile: Gerson King Combo e Hyldon embalam o flerte, enquanto ela administra mentalmente um perdão que provavelmente virá no futuro próximo.