Pastores influentes evitarão atrito com defensores do clã, mas já abraçaram Tarcísio
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31.out.2026 às 20h28
Foi o pastor Silas Malafaia quem sacramentou a união entre bolsonarismo e evangelicalismo no Brasil ao casar Michelle e Jair Bolsonaro em 2013.
Mas essa relação se tornou insustentável e o próprio pastor Silas sinalizou que o diálogo com o clã se esgotou.
Após a publicação da carta de Flávio Bolsonaro (PL), Malafaia usou palavras fortes para descrever não apenas o 01, mas todos os filhos de Jair: jumentos, babacas e amadores. Esse rancor tem história.
Lideranças reclamam que a família trata igrejas como currais eleitorais. Ano passado Jair impôs o nome de Flávio desconsiderando a preferência deles por Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em muitas igrejas, há o grupo que trata Bolsonaro como ídolo e vê templos como células da política. Em oposição, aparecem conservadores moderados órfãos do PSDB. O fiel da balança são os antipetistas que se aliam com o lado mais capaz de vencer as eleições.
Falando em condição de anonimato, um pastor presbiteriano concluiu que a crítica de Malafaia aos filhos de Jair influencia esse grupo pendular.
"Difícil acreditar que vou dizer alguma coisa positiva sobre o Silas, mas ele pode estar fazendo um bem para a igreja mesmo sem intenção", reconhece. "Na minha bolha, ele não é uma referência teológica, mas é um rosto importante para a direita, alguém que pauta o debate."
Para esse pastor, o bolsonarismo tenta emplacar o discurso da perseguição, que soa como terraplanismo eleitoral. Malafaia "ajuda as pessoas a entenderem que dá para ser de direita e perceber as loucuras e os absurdos do Flávio e seu entorno. Ajuda a mostrar que direita e bolsonarismo não são a mesma coisa e vai pacificar a igreja, permitindo que as críticas ao bolsonarismo circulem", conclui.
Com a fuga de Flávio, a narrativa conspiratória de que a eleição foi fraudada circula a partir de atores como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). Mas além do próprio Malafaia, outros líderes como bispo Teo Hayashi, influente sobre a juventude evangélica, ecoam outra visão: a derrota para o PT é trágica, mas foi a escolha dos brasileiros e deve ser respeitada.
Tarcísio também faz acenos aos cristãos de direita. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, ao avaliar o momento eleitoral e a perspectiva de concorrer em 2030, ele respondeu em idioma religioso:
"Não posso deixar de falar como cristão: sempre levo a questão espiritual para as minhas decisões. Eu acredito muito na vontade do Senhor. Deus abre as portas para você. Quando Deus abre uma porta é que o projeto é de Deus, quando fecha uma porta ele está te dando um livramento. Então todos os meus projetos estão dedicados ao Senhor e eu acredito muito nisso. Ele te mostra o caminho."
Para atacar os filhos de Jair, Malafaia não falou publicamente. Mandou mensagem a interlocutores e ela acabou na imprensa. É a mesma postura dos pastores durante a eleição: evitar atrito dedicando o mínimo de engajamento ao bolsonarismo. Tarcísio já era o escolhido deles e com a fuga de Flávio o caminho está aberto para o vínculo se aprofundar.



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