Seguimos em transformação numa sociedade que vive mais, reinventando relações, espaços e formas de participar e aprender

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13.set.2026 às 22h00

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Luiz Deoclecio Massaro Galina Diretor regional do Sesc São Paulo

O Sesc (Serviço Social do Comércio) chega aos 80 anos pleno de vitalidade, oferecendo serviços às pessoas trabalhadoras do comércio de bens, serviços e turismo e a seus familiares, além da sociedade em geral, como resultado do compromisso do empresariado desses setores.

Efemérides são momentos de celebração e de reflexão: o que significa chegar a oito décadas num país como o Brasil?

Nossa nação envelhece rapidamente, experimentando uma alteração no perfil demográfico que outras também vivenciaram. O desenvolvimento científico, o acesso aos cuidados médicos básicos e a queda da fecundidade alteram nossa estrutura etária. As consequências são complexas, demandando a reorganização das políticas públicas, do trabalho, do cuidado e da proteção social.

A maioria das cidades não está preparada para tal situação, sobretudo devido a uma estrutura urbanística hostil, onde sobram velocidade, impessoalidade e barreiras físicas, e faltam lugares de convívio e ofertas de lazer.

É aí que entra o Sesc, uma senhora ativa, no auge dos seus 80 anos, capaz de produzir respostas às transformações sociais. Na contramão do frenesi de estímulos caóticos, a instituição propõe uma pausa. Nas unidades distribuídas pelo estado paulista, há espaços dedicados à prática e à fruição cultural. Há, principalmente, a possibilidade do encontro em um mundo em que as pessoas estão cada vez mais isoladas.

Isso acontece de maneira sistematizada desde 1963, quando teve início o trabalho social com pessoas idosas, pioneiro no país. De lá para cá, o programa se transformou, estendendo-se a todas as unidades, ganhando robustez conceitual e metodológica, estimulando a reflexão e fomentando a produção científica no campo da gerontologia e da longevidade por meio da publicação, há mais de 35 anos, da revista Mais 60: Estudos sobre Envelhecimento, além de colocar como foco o protagonismo dessas pessoas.

Os desafios são grandes, e para cada um deles buscamos o caminho da educação ao longo da vida, considerando que aprender não significa apenas adquirir conhecimentos, mas também experimentar, criar e compartilhar saberes. É o que ocorre nas campanhas realizadas anualmente, voltadas à conscientização da violência contra as pessoas idosas e à prevenção de quedas.

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São diversos os comentários de pessoas acima dos 60 anos que dizem ter encontrado uma oportunidade de ampliação de vínculos e novas formas de atribuir sentido às suas trajetórias, ao inserirem em seus cotidianos práticas criativas, formativas e físico-esportivas ofertadas pelo Sesc. Isso revela que o envelhecimento se efetiva melhor por meio da valorização das vivências e experimentações individuais e coletivas.

Aos 80 anos, o Sesc também envelhece, transformando-se. Sua história com as pessoas idosas mostra que educar e conviver são dimensões inseparáveis de uma sociedade que vive mais e de maneiras plurais, reinventando relações, espaços e formas de participar e aprender.