Pesquisas eleitorais deveriam perguntar às pessoas se a preferência clubística do candidato é fator que afeta o voto

Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta

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17.set.2026 às 23h07

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Luís Curro Em suas pesquisas eleitorais, o Datafolha poderia acrescentar uma pergunta aos eleitores que votarão para a Presidência: "Você escolheria um candidato pela preferência clubística?".

A resposta sensata é: "Não". Futebol é entretenimento e paixão. Não tem relação direta com as questões mais pertinentes ao Brasil, que são desigualdade social, saúde, educação, segurança, corrupção, desemprego, habitação, inflação, entre muitas outras.

Tenho, contudo, a sensação de que uma parcela responderia "sim", com a expectativa de que o clubismo do eleito possa render dividendos, se não à sociedade, ao próprio clube.

Isso é improvável, porém possível. Há um caso, e só me lembro deste, de um chefe de Estado agir claramente em prol do seu time de coração.

No começo do ano passado, Lula (PT), 80, fez um Pix de R$ 1.013 para colaborar com a campanha de uma torcida uniformizada que objetivava reduzir a dívida do Corinthians no pagamento de sua arena, em Itaquera.

É um valor simbólico, só que não se deveria dar um centavo que seja a um time, quando se parte da principal autoridade política do país. Ilegal não é, mas é questionável, pois envolve favorecimento. Que a mesma quantia fosse dada a todos os times brasileiros –são mais de 1.200 os registrados.

O presidente, corintiano declarado, disse também ter carinho pelo Vasco da Gama, que seria seu segundo time. O Vasco é a equipe pela qual torce Flávio Bolsonaro (PL), 45, filho do ex-presidente que está preso por participação em tentativa de golpe de Estado e que, de acordo com as pesquisas, é o principal adversário de Lula no pleito deste ano.

Jair Bolsonaro afirma-se palmeirense e simpatizante do Botafogo, todavia veste sem pudor camisas de outras agremiações: apareceu com o "manto" de dezenas de equipes, entre elas, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Bahia, Internacional e Grêmio. É a estratégia de tentar ficar bem com o maior número possível de eleitores.

E os outros candidatos à Presidência que aparecem com alguma relevância nos levantamentos feitos por institutos de pesquisa, para quem vai a torcida no futebol?

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Entre outros postulantes ao Palácio do Planalto, Augusto Cury (Avante), 67, afirmou, conforme publicou a revista Placar, torcer para "o Santos de Pelé". Ronaldo Caiado (PSD), 76, é torcedor do Flamengo, o clube mais popular do Brasil. Renan Santos (Missão), 42, do São Paulo.