Tecnologia permite que os pequenos sejam protagonistas no palco dos grandes
A coluna O Último Messi é escrita por Sebastián Fest, jornalista argentino, autor de biografias de Lionel Messi, Rafael Nadal e Roger Federer e correspondente político na América do Sul do jornal espanhol El Mundo
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Recorrer a clichês às vezes é uma boa maneira de retratar uma história, de dar sentido a um fato. Mas abusar deles pode ser contraproducente para o bom jornalismo. Algo nesse sentido aconteceu há oito anos.
Após a emocionante vitória por 4 a 3 com que a França eliminou a Argentina nas oitavas de final da Rússia 2018, um comentarista anglo-saxão disse que aquela era, sem dúvida, a última Copa do Mundo de Lionel Messi, sua despedida das Copas do Mundo.
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Oito anos depois, aos 39 anos, Messi brilha na Copa do Mundo de 2026. A ideia de que a Rússia marcaria sua despedida baseava-se em duas razões, uma mais válida que a outra. A experiência terrível que Messi teve naquela Copa do Mundo sob o comando de Jorge Sampaoli levava a pensar que o 10, que quatro anos antes havia perdido a final no Brasil, nunca mais iria querer tentar a sorte em uma Copa do Mundo.
Essa ideia era bem mais válida que o clichê de que, depois dos 30, o jogador de futebol —e o atleta em geral— entra na fase de declínio, rumo à aposentadoria. Há muito tempo isso não é mais verdade, mas será ainda menos em 2026.
Messi tinha três anos quando sua família o sentou pela primeira vez para assistir a uma Copa do Mundo, a da Itália 90. Roger Milla estava em campo. Aos 38 anos e autor de quatro gols naquela Copa do Mundo, Milla foi fundamental para que Camarões derrotasse, na partida de abertura, a atual campeã mundial, a Argentina, e para que sua seleção chegasse às quartas de final, mais longe do que qualquer outra equipe africana jamais havia chegado.
Deixemos o futebol de lado e falemos do tênis nestes dias de Wimbledon: Rafael Nadal conquistou seu 14º título de Roland Garros aos 36 anos, e Novak Djokovic continua entre os melhores aos 39.
O esporte em geral e o futebol, em particular, estão hoje mais "velhos" e democráticos do que nunca.
Mais "velhos"? Uma reportagem da BBC assinada por Fernando Duarte sintetizou de maneira impecável o fenômeno nestes dias: "Apenas sete jogadores com 35 anos ou mais participaram da Copa do Mundo de 1990, enquanto na de 2022 foram 41, segundo dados compilados por Joshua C. Fjetsul, cientista de dados e economista da Universidade de Oslo. Neste ano, as listas oficiais da Fifa mostram 72 jogadores com mais de 35 anos. Oito jogadores têm 40 anos ou mais, mais do que em todas as Copas do Mundo anteriores juntas".
Mais democráticos? Sim, porque se Cabo Verde enfrenta nesta sexta (3) a Argentina de Messi, é porque a tecnologia, em todos os aspectos —esportivo, médico, de comunicação—, está permitindo que os pequenos sejam protagonistas no palco dos grandes.




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