A história mostra que diagnósticos definitivos podem ser imprecisos
Jornalista e autor de "Escola Brasileira de Futebol". Cobre sua oitava Copa e cobriu nove finais de Champions
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30.jun.2026 às 13h02
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O jornalista alemão Raphael Honigstein publicou em 2015 o livro "Das Reboot", para contar o renascimento do futebol alemão, entre levar goleada de 1 x 5 da Inglaterra, em 2001, até voltar a ser campeão mundial, metendo 7 x 1 no Brasil, em 2014.
Como se desse reboot num equipamento, para reiniciá-lo, a Alemanha construiu centros de treinamento regionais, aperfeiçoou sua formação de técnicos, apostou na pressão e nas estratégias de ataque, mudou a identidade de sua seleção, conta Honigstein.
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Onze anos depois de seu lançamento, "Das Reboot" parece uma obra de ficção. A Alemanha não ganhou mais nada e há três Copas não chega nem às oitavas de final —2018, 2022 e 2026 são suas três piores participações em todos os tempos.
Há outro livro extraordinário, publicado na Holanda em 1998. Chama-se "Ajax, Barcelona, Cruyff - The ABC of an Obstinate Maestro", escrito pelos jornalistas Frits Barend e Henk van Dorp. É uma coletânea de entrevistas e episódios envolvendo Johan Cruyff, o maior pensador da história do futebol.
Um capítulo fala sobre um seminário montado pela federação holandesa de futebol para debater as razões da derrota para a Bélgica na repescagem das Eliminatórias para a Copa de 1986. Eliminada, a Holanda discutiu sua crise. Cruyff descascou o técnico Leo Beenhakker e seu diretor, Rinus Michels. Chamou-os de arcaicos. Discursou sobre como o futebol do país precisava se modernizar.
Dois anos depois do congresso, a Holanda ganhou a Eurocopa. Houve quem julgasse que o debate ajudou a realizar as transformações. A Euro foi conquistada com vitória sobre a rival Alemanha, na semifinal, e gols de Gullit e Van Basten na finalíssima, contra a União Soviética.
Depois disso, nunca mais os holandeses ganharam nada.
Mentiras sinceras me interessam, como cantaram Cazuza e o Barão Vermelho em "Maior Abandonado". Diagnósticos definitivos podem ser imprecisos até no câncer.
A seleção está atrasada, tem de melhorar durante a Copa, porque fez tudo errado nos últimos quatro anos. A Alemanha e a Holanda pareciam mais fortes e não chegaram nem às oitavas.




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