A imagem do Lula entre jovens políticos representa um partido e um candidato abertos a aprender

Escritora e roteirista de cinema e televisão, autora de “Depois a Louca Sou Eu” e "A Boba da Corte"

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Ana Elisa é a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil (ela tem 21 anos). É também um fenômeno nas redes sociais (3 milhões de seguidores), com vídeos sobre educação, direitos sociais, feminismo e letramento antirracista. Uma sorte para a equipe que cuida da campanha do Lula —que precisa correr para virar votos até o próximo dia 25 de outubro— tê-la por perto.

Sua fala durante uma entrevista recente para o Globonews é o vídeo mais bonito e importante que você verá durante todo este ano eleitoral. Em resposta à grande jornalista e comentarista Flávia Oliveira, Ana Elisa, que é preta e está sendo ameaçada de morte por supremacistas, diz temer os ataques, mas saber que eles ocorreriam em muitos outros lugares. No entanto, a deputada conclui, hoje ela ocupa um lugar que representa o sonho de toda a sua ancestralidade.

Sempre que vejo vídeos e entrevistas de Ana Elisa, fico impressionada pela força, a inteligência e a agilidade da jovem deputada. O mesmo acontece quando dão ao Lula, 60 anos mais velho do que ela, um microfone. Fiquei fascinada vendo o vigor, a engenhosidade e a desenvoltura do presidente em sua recente entrevista para o podcast Flow.

A imagem do Lula entre jovens políticos, que já começaram suas carreiras dominando as regras do marketing digital, representa um partido e um candidato abertos a aprender. Justamente por isso, não deve representar um líder cansado ou um partido ultrapassado. E aqui entra um debate tão importante quanto a defesa da democracia: a compreensão da longevidade.

Você já deve ter ouvido aquele papinho, esse sim defasado, de que usamos apenas 10% do nosso cérebro e, pior, de que ele "endurece" depois dos 30 anos, tornando-se penoso adquirir novos saberes, línguas ou habilidades.

Aprendi lendo o ótimo livro "Longevidade Hoje - O que a Neurociência e a Psicologia Falam Sobre Envelhecer Bem em Qualquer Idade" (da editora Fósforo) que estamos todos (eu, você, a Ana Elisa e o presidente Lula) plenos de neuroplasticidade e utilizando cada milímetro do nosso cérebro.

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As autoras Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky me explicaram também que é possível chegar aos 80, 90, até 100 anos, sem declínio mental e que, para tal, é preciso criar uma reserva cognitiva. Em outras palavras, dar conta daquela lista que já sabemos: malhar os músculos que nos ajudam a sentar e levantar, fazer exercícios aeróbicos, ter amigos, desafiar o cérebro, aprender uma nova língua, ler, fazer check-ups anuais e ter um propósito de vida (planejar uma existência e um envelhecimento interessantes!) para hoje e para o futuro, lembrando que a população idosa é a que mais cresce.

O livro me inspirou a pensar no envelhecimento como um processo e não como uma fase da vida que só deve ocorrer daqui uns anos. Se tivermos sorte, vamos chegar à idade do presidente Lula como ele: a musculação em dia, uma vida social agitada, um cérebro que tirou o Brasil da fome duas vezes, um propósito de vida que se chama Brasil e uma foto com jovens que, no fundo, só estavam lá para aprender a fazer política.

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