Nascidos no dia 21 de junho, jurista e escritor estão sendo revisitados por novas biografias
Jornalista e escritor, é autor de "Carolina, uma Biografia" e do romance "Toda Fúria"
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24.jun.2026 às 13h00
Estamos em pleno fervor de Copa do Mundo e, tirando a nossa seleção, que busca ainda encontrar seu melhor futebol em campo, há passagens de nossa história que não podemos deixar de louvar.
Falo de Luiz Gama e Machado de Assis, dois grandes nomes ligados por uma coincidência histórica — ambos nasceram no dia 21 de junho. Um em 1831, na cidade de Salvador, Bahia, e outro em 1839, no morro do Livramento, no Rio de Janeiro —portanto, há 195 e 187 anos, respectivamente.
Luiz Gama, embora fosse também poeta, tornou-se referência do direito abolicionista do Brasil. Atuou de forma decisiva na defesa e libertação de vítimas do tráfego marítimo africano, sendo um propagador ferrenho das causas da abolição e república.
Por sua vez, Machado de Assis, nosso mais expressivo romancista, se notabilizou por ridicularizar a sociedade conservadora da época com frases irônicas e psicológicas que expunham o ridículo do Império escravocrata.
Sem dúvida, são inegáveis homens negros que deixaram importantes legados para o nosso país. De origens humildes, ambos com traços da escravidão a correr nas veias, tanto Gama quanto Machado —não há indício de que tenham tido uma relação em vida— contribuíram de maneira inequívoca para a grandeza da nação brasileira, um no campo do direito, o outro no da literatura.
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Duas biografias recentemente publicadas abordam a herança africana dessas duas personagens e merecem destaque. A primeira é "As Origens Perdidas de Luiz Gama", pela editora Hedra, de Bruno Rodrigues de Lima, que traz dados inéditos sobre os primeiros dez anos de vida do jurista baiano. A obra revela fatos até então desconhecidos sobre a mãe, Luísa Mahin, sua atuação na revolta da Sabinada e a prisão em Salvador, além de revelar a identidade do pai, o "fidalgo-canalha" Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama, como assinala o biógrafo.
Traz ainda pormenorizada descrição do período que culmina com a venda de Gama pelo próprio pai, como escravizado, em 1840.
A outra obra é "Machado: O Filho do Inverno", pela Ação Editora, que apresenta um Machado de Assis bastante original para os leitores de hoje —reconta explicitamente a origem de sua negritude e apresenta as ramificações de ascendência que incluem dois padres em sua árvore genealógica.




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