Os desafios de Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno - Evaristo Sa/AFP Com uma diferença de 2.224.965 dos votos, a menor da história no 1º turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) se enfrentam no segundo turno das eleições presidenciais com o desafio de conquistar os votos de quem não votou neles, dos indecisos e daqueles que nem mesmo compareceram às urnas. Um dia após a votação, Flávio Bolsonaro se reuniu com integrantes da equipe de campanha, além do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG). Em Brasília, o presidente Lula também se encontrou com aliados, entre eles o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Dos candidatos que ficaram de fora da segunda fase da disputa, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) não declararam apoio a nenhum dos dois postulantes. Já Romeu Zema (Novo) anunciou apoio a Flávio Bolsonaro pelas redes sociais e Ronaldo Caiado (PSD) deve se reunir nesta terça-feira (6) com o senador, em Goiânia, para formalizar a aliança.
Análise Segundo o cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes, a estratégia do candidato do PL para o segundo turno é consolidar a hegemonia no Sudeste do país, enquanto continua a minorar a vantagem que Lula e o PT têm no Nordeste. “Lula perdeu aproximadamente três milhões de votos no Nordeste. É muito significativa a redução do tamanho eleitoral do lulopetismo, como consequência da inflação de alimentos, da crise de segurança pública e da rejeição cada vez maior em face dos escândalos de corrupção, que afetaram as duas candidaturas, mas afeta sempre mais o governo. Seja quem for o incumbente tende a ser responsabilizado por escândalos de corrupção”, disse. A cientista política Priscila Lapa avalia que Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno em uma condição mais confortável. De acordo com a especialista, o perfil mais à direita dos candidatos que disputaram o primeiro turno e que não passaram para o segundo também ajuda Flávio.
“Ele tem candidatos eleitos ou reeleitos nos estados com um eleitorado muito mobilizado. Flávio elegeu um número maior de governadores, e isso ajuda na mobilização das bases agora para o segundo turno”, afirmou.
Vantagem Elton Gomes explica que reverter a desvantagem de Lula será uma tarefa complexa, devido à elevada rejeição ao governo e ao próprio presidente. Outro desafio para o petista é a possibilidade de os votos dos ex-candidatos à presidência como Renan Santos, Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado convergirem para Flávio Bolsonaro. “Esses elementos são muito complexos pelo curto tempo que resta. Por essa tendência quase que natural de transferência de votos desses candidatos que não conseguiram avançar na disputa e também porque Flávio Bolsonaro mostra uma expectativa de poder muito grande, haja vista o tamanho da bancada que fez no Senado, principalmente, e na Câmara.” Historicamente mais forte no Nordeste, o presidente Lula enfrenta o desafio de manter a votação nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com Priscila Lapa, será difícil esperar uma mudança significativa no comportamento do eleitor do Sul em relação ao candidato.
“Ele precisa, apesar do desafio de saber que no Sul e no Centro-Oeste terá uma dificuldade adicional, fazer esse movimento de evitar a desmobilização completa do reduzido eleitorado. Mas esse reduzido eleitorado, se não for votar no segundo turno, pode agravar ainda mais a distância que já existiu no primeiro.” Segundo Priscila, o Sudeste reúne três estados com perfis eleitorais distintos e desafios específicos para o presidente Lula: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Nordeste, a cientista política reiterou que um dos desafios da campanha é reduzir a abstenção. “É a região onde, de fato, ele terá a proeminência e foi a única região onde ele venceu agora no primeiro turno, e vai tentar fazer um movimento ainda maior agora no segundo turno. Também é preciso conversar com os eleitores indecisos e mais moderados”, ressaltou.




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