O Grupo BMW anunciou esta semana os traços gerais dos seus planos para o futuro - que vão desde a gama de modelos oferecida à produção, de modo a enfrentar...

O mercado automóvel está, cada vez mais, repleto de desafios significativos, e o Grupo BMW tem uma estratégia delineada para o futuro - dando um vislumbre da mesma esta semana, a propósito do Capital Market Day 2026.

Segundo o fabricante bávaro, em primeiro lugar vem um maior alinhamento dos produtos com as preferências dos clientes em cada região - ou seja, a expansão e reforço da gama de automóveis será mais orientada e o leque de motorizações será alvo de "ajustes significativos".

A ideia é concentrar os esforços "em modelos que podem proporcionar o maior valor para os clientes e as mais altas margens no longo termo em cada mercado".

O portfólio será revisto e encurtado, no sentido de otimizar a rentabilidade, sendo que diversas variantes serão ponderadas. Certo é o fim do BMW Série 2 Active Tourer, que não terá sucessor.

As marcas BMW M e Rolls-Royce também estão em causa, sendo "aprimoradas" para tirar o melhor proveito dos seus pontos fortes e encontrar mais receitas. Em 2027, surgirá o primeiro modelo da BMW Alpina, inspirado no Série 7.

Para a Europa, em 2028 o Grupo BMW vai introduzir um novo automóvel 100 por cento elétrico assente nos pressupostos Neue Klasse para o segmento de entrada de alto volume - um eventual novo Série 1.

Vai, por isso, reforçar a sua gama de modelos compactos com tecnologias Neue Klasse, em combinação com a gama totalmente elétrica da marca MINI.

Igualmente no Velho Continente, no próximo ano a BMW terá um novo modelo de agência (vendas diretas), seguindo os passos da marca MINI - que o implementou com sucesso em 24 mercados. Segundo a casa bávara, a inteligência artificial será essencial no sistema de vendas, constituindo a sua base.

A China irá merecer uma grande atenção, com o aumento da produção local nos segmentos de volume elevado agora que está a chegar a Neue Klasse. Para aquele país, as importações vão resumir-se "aos modelos com as margens mais altas".

A BMW pretende aumentar a quota de veículos fabricados localmente e desenvolvidos em específico para os requisitos e características do mercado chinês para pelo menos 95 por cento até 2030. Também poderá alargar as exportações de viaturas fabricas na China para o sudeste asiático.

No que toca aos Estados Unidos da América, a BMW está consciente da boa receção dos seus SAV (a designação que dá aos seus SUV, vinda de Sports Activity Vehicle), pelo que admite a introdução de um novo modelo topo de gama talhado para os americanos e posicionado acima do X7.

A fábrica de Spartanburg está a operar na sua plena capacidade, sendo que o Grupo BMW pretende ter uma maior regionalização de modo a poder "alargar a produção global destes modelos".

Atualmente, o Grupo BMW está a desenvolver um novo sistema de condução autónoma Nível 2++ com a Momenta. Este chegará à China com o iX3 local.

Na Alemanha, a BMW prevê tornar-se num dos primeiros fabricantes a ter veículos com assistência ao condutor guiada por navegação em autoestradas, estradas secundárias e cidades já no próximo ano - o que é fruto de uma colaboração com a Qualcomm. As funcionalidades deverão, depois, alargar-se a outros mercados como os Estados Unidos da América.

Até ao fim do ano, o sistema de assistência à condução semi-autónoma em autoestrada deverá estar num total de 21 países.

A inteligência artificial está cada vez mais presente no quotidiano e o universo automóvel não é exceção. Por isso mesmo, a BMW considera que estas tecnologias são essenciais para "maior velocidade e agilidade, tomada de decisões mais rápida e maior eficiência" nas suas operações em todas as áreas.

Nos veículos, o grupo promete "continuar a definir novas referências tecnológicas", como demonstra a Neue Klasse estreada no ano passado.

Esta nova era de modelos veio introduzir os alicerces da próxima geração de veículos digitais. Mais do que automóveis definidos por software, a BMW pensa em veículos definidos por IA, com todos os seus sistemas a trabalharem em conjunto de forma integrada e inteligente, adaptando-se a cada situação.

Do ponto de vista da produção, a IA já faz parte do ecossistema de produção e da BMW iFactory. Antecipa o construtor que, no futuro, agentes de inteligência artificial digitais "irão realizar cada vez mais tarefas desafiadoras de forma autónoma". Diz a BMW que "o papel da inteligência artificial será significativamente alargado em toda a cadeia de valor", com a transferência de aplicações individuais para processos nucleares de desenvolvimento de viaturas.

Em perspetiva, está um futuro em que a IA ativa proporciona um apoio ponta a ponta - desde os requisitos iniciais até aos testes e ao lançamento.