Atriz está de volta à TV na série ‘Os Outros’, do Globoplay, e em breve na Netflix
Priorizar nos meus resultados Google Depois de anos longe das novelas e consolidando uma trajetória cada vez mais internacional no cinema, Carol Duarte, 34 anos, voltou ao audiovisual brasileiro em Os Outros, série do Globoplay, movida justamente por histórias que dialogam com o presente. Entre filmagens na Itália, passagens por festivais como Cannes e Sundance e projetos que ampliaram sua projeção fora do país, a atriz encontrou na série um retrato potente sobre intolerância, violência cotidiana e convivência social. Enquanto divide sua agenda entre as filmagens de Enfim Sós, da Netflix, e apresentações da peça A Visita, Carol conversa com a coluna GENTE sobre seu novo trabalho, reflete sobre o impacto de Ivan, seu personagem em A Força do Querer (2017), tanto na sua carreira quanto no debate público, e avalia se aceitaria viver o personagem hoje.
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Você está longe da TV há alguns anos. O que te levou a voltar? E por que Os Outros? O convite veio da diretora Luísa Lima e do roteirista Lucas Paraíso. Tinha acabado de voltar das filmagens do filme Eva, na Itália, então a proposta chegou em boa hora. Já tinha assistido à primeira temporada e achei incrível, uma série muito potente e bem construída. O que mais me atraiu foi justamente isso: ela aborda temas que me atravessam profundamente, como a violência cotidiana, a intolerância e essa dificuldade de convivência com o diferente.
Dizem que o ator sempre leva algo de si para a criação. O que te aproxima da personagem? A não identificação. Eu a considero mais expansiva, ousada de uma maneira diferente da minha. Patrícia está buscando alternativas para não só sobreviver, mas encontrar seu lugar no mundo. E sabemos que, para nós mulheres, a realidade tantas vezes é mais hostil e violenta. Acho ela corajosa e cheia de desejos, não se acomoda ao que lhe oferecem.
É impossível não citar A Força do Querer na sua trajetória. Qual foi o impacto do Ivan na sua carreira? Foi meu primeiro trabalho audiovisual, aprendi muito. Foi um exercício intenso, trabalhoso e cheio de descobertas. Ivan foi um personagem marcante, tenho orgulho dele. Recebo o carinho do público até hoje. É bonito ver como chegou a tantos lugares do país e promoveu emoções e debates. Já tem quase dez anos que essa novela estreou, de lá para cá muitas coisas aconteceram, dentre elas um governo de extrema direita contrário a todas as pautas mais progressistas chegou no alto escalão, foi um terrível retrocesso generalizado, a cultura sofreu muito, e claro as pautas de gênero e sexualidade foram atacadas. É sempre uma luta, nada está garantido mas avançamos nos últimos tempos, ainda sob ataques temos representantes trans em lugares de poder e visibilidade, e precisamos de mais e mais, tenho certeza que um país mais poderoso, saudável e rico deve ter em todos os setores sociais representatividade de gênero, de raça, de sexualidade e classe.
Como você vê hoje o debate sobre lugar de fala, sendo uma mulher cis que interpretou um homem trans? Ivan foi um personagem que atingiu muitos lugares do país e, desde então, a discussão tomou contornos com o avanço dessas pautas em diferentes setores da sociedade. Dediquei meu trabalho para construir um personagem à altura da trama que me foi proposta, depois de um processo de testes de um mês. Que a arte e o entretenimento continuem impulsionando avanços na sociedade, porque meu trabalho estará sempre a serviço disso.
Você aceitaria fazer esse papel hoje? Ivan foi meu primeiro trabalho no audiovisual, depois vieram outros que me deram muitas alegrias. Hoje quero empenhar meu trabalho em projetos que estejam a serviço de discussões progressistas, que deem esperança de liberdade e igualdade em um mundo que, infelizmente, ainda insiste em regredir e oprimir pautas de gênero, raça e sexualidade.
Você evita a superexposição. Como lida com a era dos influenciadores? Tenho minhas redes sociais para divulgar meu trabalho, convidar o público, e gosto da proximidade que elas proporcionam com quem se interessa pelo que faço. Mas hoje parece que qualquer profissional precisa ser visto nas redes sociais, e acho isso aprisionador e adoecedor. Estamos todos trabalhando de graça para plataformas que lucram com vício e algoritmo. Tento aproveitar o melhor disso, se é que existe. Decidi usar as redes como portfólio, um lugar onde as pessoas podem acompanhar o que estou fazendo. Fora isso, não tenho interesse. Essa “realidade” que as redes simulam tem consequências muito terríveis, então tento me preservar desse simulacro da verdade.
Depois de Cannes, de La Chimera e das filmagens na Itália, como você voltou ao Brasil? Fazer dois filmes fora do Brasil e ter ido duas vezes a Cannes e uma a Sundance abriu muitos horizontes, pessoal e profissionalmente. Meu trabalho ganhou outra dimensão fora do país. A repercussão de A Vida Invisível foi importante na minha carreira, assim como ganhar o Prêmio Platino de melhor atriz, algo especial.
Como vê o audiovisual brasileiro atualmente? Estamos em um momento muito bom do cinema. Espero que isso traga mais incentivos públicos para a indústria, porque um país que investe em cultura é um país mais rico e saudável. O público brasileiro está indo ao cinema assistir às produções nacionais, e isso é o mais bonito desses últimos tempos. Essa indústria movimenta uma economia enorme e envolve trabalhadores. Espero que essa onda de festivais internacionais e prêmios aumente ainda mais a nossa produção.
Quais são seus próximos trabalhos? Estou filmando uma série da Netflix, Enfim Sós. Sempre que posso, faço apresentações da minha peça solo A Visita, dirigida por Murillo Basso. Em breve estreia também o longa O Tempo da Delicadeza, dirigido por Eduardo Nunes. Já o filme italiano Eva, do qual sou protagonista, entrou em cartaz na Itália e ainda não tem previsão de estreia no Brasil.




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