Com as buscas por sobreviventes ainda em andamento, relatos de quem escapou com vida revelam o impacto do desastre sísmico na Venezuela

As frenéticas operações de resgate continuam na Venezuela após o duplo terremoto que atingiu o país na tarde de quarta-feira (24/6).

Equipes de emergência, moradores e familiares seguem procurando e retirando dos escombros pessoas que ficaram presas em edifícios que desabaram em consequência dos dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que sacudiram o país.

"Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes", disse o estudante Antoan Marín à BBC News Brasil, o serviço em espanhol da BBC. "Eles não têm maquinário especializado", acrescentou ele, que está em Caracas. "Falta ajuda."

Nesta quinta-feira (25/6), equipes de resgate de diversos países viajavam para a Venezuela para colaborar na busca por sobreviventes em meio à extensa devastação que atingiu Caracas e outras cidades da costa central do país.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram edifícios residenciais e comerciais completamente destruídos, principalmente na capital e em La Guaira, enquanto familiares procuram desesperadamente seus entes queridos.

Em La Guaira, moradores denunciaram nas redes sociais nesta quinta-feira que as equipes de resgate ainda não haviam chegado e que havia dezenas de pessoas presas que não podiam ser socorridas por falta de recursos.

O balanço oficial aponta pelo menos 589 mortos e mais de 2,9 mil feridos até a manhã desta quarta-feira (26/6), mas teme-se que o número de vítimas fatais possa ser ainda maior.

Os terremotos ocorreram com apenas 39 segundos de diferença em uma zona de falhas geológicas, aumentando seu impacto mortal.

Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Fim do Promoção Agregador de pesquisas

Román Camacho, jornalista venezuelano, publicou em suas redes sociais imagens devastadoras de La Guaira gravadas na manhã desta quinta-feira, nas quais aparecem pessoas presas sob os escombros em áreas onde as equipes de resgate ainda não haviam chegado.

Nelas, vê-se um jovem, identificado pelo jornalista como Amir Infante, bebendo água e com a parte inferior do corpo esmagada por um bloco de concreto. "Não há maquinário, não há os equipamentos necessários para remover os escombros", explica Camacho em seu vídeo. "Há famílias inteiras presas."

Horas depois, Camacho informou que a mãe de Amir havia comunicado que seu filho tinha morrido.

A poucos metros dali, um jovem gritava "Jesus!" enquanto caminhava sobre os escombros procurando pessoas com vida.

"Aqui há três vivos", relatava, apontando com a mão. "Como você se chama?", perguntava através de um pequeno buraco. "Anthony", respondeu uma voz que mal podia ser ouvida.

Com os olhos cheios de lágrimas, o jovem gritava mais uma vez: "Jesus, irmão, fala comigo."

Bombeiros e paramédicos, relatou o jornalista, "estão de mãos atadas".

Apesar de todos os esforços, a interrupção das comunicações e a falta de recursos dificultaram a resposta inicial à emergência. No entanto, à medida que as horas avançam, as equipes de resgate estão sendo mobilizadas com maior rapidez para as áreas mais críticas.

Os canais de televisão locais não apenas divulgaram os relatos de pessoas desesperadas à procura de seus familiares, mas também as emocionantes imagens de vítimas resgatadas com vida, que dão esperança aos venezuelanos em um momento de tanta dor.

"Deus é grande!", diz a voz de um homem enquanto um bebê que havia ficado sob os escombros é resgatado com vida, segundo as imagens de um vídeo publicado pelo veículo Noticias en Red.