Aos 86 anos e com seis décadas de carreira, o médico clínico Oscar Coutinho conversou com o JC durante o 3o Congresso Pernambucano de Clínica Médica

Aos 86 anos e com seis décadas de carreira, o médico clínico Oscar Coutinho conversou com o JC durante o 3º Congresso Pernambucano de Clínica Médica

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Aos 86 anos e com seis décadas de carreira, o médico clínico Oscar Coutinho mantém uma rotina ativa. Atende em consultório de segunda a quinta-feira, nos turnos da manhã e da tarde, e reserva as sextas-feiras para o descanso. 

Durante o 3º Congresso Pernambucano de Clínica Médica, que terminou neste domingo (13) no Recife, ele conversou com a jornalista Cinthya Leite, titular de Saúde e Bem-Estar do JC, sobre a sua trajetória, as transformações da medicina, os desafios da clínica médica, novas tecnologias, tratamentos e o que espera das novas gerações de profissionais da especialidade que abraça. 

Para ele, o clínico precisa dominar desde queixas diárias (como hipertensão, diabetes, colesterol e queixas digestivas) até doenças raras, ao combinar o conhecimento de corpo e alma com uma forte visão humanística. Além disso, ele fez duras críticas a procedimentos como a soroterapia e o "chip da beleza", classificando-os como práticas perigosas, inúteis e de alto risco de iatrogenia (danos ao paciente). 

JC - O senhor está com 86 anos e 60 anos de formado em medicina. Como é a sua rotina hoje, entre o consultório e as atividades físicas, como o futebol?

OSCAR COUTINHO - Atendo no consultório de segunda a quinta-feira, de manhã e à tarde, e deixo a sexta-feira livre. Em relação ao futebol, deixei de jogar em março deste ano, contra a opinião do meu médico. Tomamos essa decisão porque comecei a ter medo de sofrer algum trauma na cabeça ou machucar o joelho. Como gosto muito de caminhar e viajar, e todos os meus amigos mais antigos já haviam parado de jogar, achei que também era o momento de parar.

JC - Como professor e referência para tantas gerações, como o senhor vê o interesse dos médicos mais jovens pela clínica médica?

OSCAR COUTINHO - Fiquei muito agradavelmente surpreso com a frequência e com a motivação que vi no Congresso Pernambucano de Clínica Médica. Hoje em dia, é uma área que pouca gente quer seguir. O médico jovem prefere optar por uma especialidade mais focal, porque é muito mais fácil de se atualizar e a remuneração costuma ser melhor.