O filme de António Ferreira tem José Martins no papel de Arménio, que tenta pacificar-se com o passado e com o envelhecimento enquanto se confronta com Hermínia, interpretada por Mina Andala.
O filme de António Ferreira é uma narrativa ficcional que fala de racismo, envelhecimento e traumas de guerra.
A história centra-se em Arménio, que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.
É em Hermínia, a mulher negra, que Arménio descarrega o preconceito e o racismo, ao mesmo tempo que revive, em pesadelos, o tempo em que combateu na Guerra Colonial em África.
À Lusa, antes da estreia, António Ferreira contou que quis fazer um filme sobre o envelhecimento, esse momento irreversível do fim da vida e ao mesmo tempo falar sobre o que ainda subsiste na sociedade portuguesa décadas depois do fim da guerra nos territórios colonizados.
O realizador, nascido em 1970, fez pesquisa junto de ex-combatentes, de psicólogos e inspirou-se na sua experiência pessoal, enquanto filho de um homem que ficou com marcas de guerra.
O filme valeu a José Martins o prémio de melhor ator no Festival de Cinema de Xangai, na China, e a António Ferreira o de melhor argumento, coescrito com Tiago Cravidão, no festival de cinema de Tânger, em Marrocos.




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