Nathalia Gadelha Filgueiras, 20 anos, estava em aeronave que despencou e abriu cratera em estrada nos EUA; todas as nove pessoas a bordo morreram
Nathalia Gadelha Filgueiras tinha 12 anos quando começou a voar com o pai, observando o solo se distanciar lá embaixo. Aos 17 anos, ela já tinha sua própria licença de piloto, apaixonada pela aviação assim como seu pai.
Na sexta-feira (6), Allan Filgueiras conteve as lágrimas ao lembrar da filha que seguiu seus passos.
“Ela é minha alma gêmea”, disse Filgueiras à CNN. “Ter com quem conversar sobre aviação... Agora, sinto que falta algo na minha vida.”
Nathalia Filgueiras, brasileira de 20 anos, era a copiloto do Learjet 60 que, no domingo (1°), despencou de uma altitude de 35 mil pés em direção a uma rodovia no sul da Flórida. As nove pessoas a bordo morreram.
A causa do acidente ainda é desconhecida; as condições meteorológicas e a aeronave estarão entre os diversos fatores a serem analisados durante a investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês).
A voz de Nathalia pode ser ouvida em uma gravação de áudio dos minutos finais do voo. Primeiro, informando calmamente a um controlador de tráfego aéreo que enfrentavam turbulência e uma formação de gelo que ainda era controlável; em seguida, declarando uma emergência enquanto a aeronave perdia altitude rapidamente; e, por fim, sua última transmissão: “Acabou o nosso tempo”.
Allan Filgueiras concedeu uma coletiva de imprensa para falar sobre a filha que ele tanto amava. Ele estava acompanhado por seu advogado, que afirmou que Allan desejava “preservar não apenas a memória dela, mas também sua reputação”.
“Não estamos fazendo acusações contra ninguém neste momento”, disse o advogado Stuart Grossman. “Vamos agir da maneira correta. Vamos aguardar as descobertas do governo. Depois, pediremos aos nossos especialistas que analisem as informações e nos digam se concordam ou não. Mas acredito que ninguém deveria interferir no trabalho do governo.”
Para o pai, o que ele deseja que seja lembrado sobre sua filha é o quanto ela era apaixonada pela aviação e o quão talentosa ela era na profissão.
Quando ela estava apenas começando, ela disse: “Pai, não há mais nada que eu queira fazer na minha vida a não ser voar”, relembrou ele à CNN após a coletiva de imprensa.
“Eu disse a ela que não existe nada neste planeta que você queira tanto que não vá conseguir alcançar”, afirmou Allan Filgueiras. “Portanto, você vai ser a piloto que deseja ser.”
A jovem piloto formou-se na American Flyers, uma das escolas de aviação mais prestigiadas dos Estados Unidos, informou a família à CNN Brasil.
No momento do acidente, Nathalia possuía licenças de piloto comercial e instrutora de voo, além de habilitações para pilotar aeronaves maiores e mais complexas e atuar como copiloto em um Learjet 60, segundo registros da Federal Aviation Administration (FAA).
Era o sonho dela realizado, disse seu pai.
“Ela disse: ‘Pai, dá para acreditar? ... Eu pagaria por isso, mas, na verdade, estão me pagando’”, contou ele durante a coletiva de imprensa. “Voar era o momento em que ela se sentia mais feliz.”
O Learjet 60 seguia de Austin, no Texas, para as Bahamas. Entre as vítimas fatais estão sete passageiros — o empreendedor do setor de tecnologia Adam Robinson e Helen Sharp; seus dois filhos, Emma e Charlie; a cuidadora Anita Maria Cetina; e outro casal, Rachael Reed e Charmi Fehr —, além de Nathalia Filgueiras e o piloto Jeff Gregory.
Imagens captadas pela câmera de um veículo mostram o momento da queda. O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou que a aeronave desceu tão rapidamente que “parecia um míssil caindo”.
Investigadores ainda buscam, na cratera aberta no asfalto, pistas sobre como o voo terminou em catástrofe. Na quinta-feira (5), eles recuperaram parte do motor da aeronave.
Quatro dias antes do acidente, Nathalia e seu pai passaram a tarde juntos e almoçaram.
“Passei o dia com ela e disse (a ela): ‘Este é o melhor dia da minha vida, passar esta tarde com você’”, contou ele à CNN.




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