Depois de queda 'sem precedentes' na pandemia, desempenho de estudantes de 15 anos continua caindo na maioria das nações avaliadas

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8.set.2026 às 4h30 Atualizado: 8.set.2026 às 17h32

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O desempenho dos estudantes de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi o menor já registrado na história nas três áreas do conhecimento avaliadas pelo Pisa 2025. Praticamente estagnado na última década, o Brasil segue ainda bastante longe da média desses países.

Uma das principais avaliações de qualidade da educação básica do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes divulgou seus dados na manhã desta terça-feira (8). Ele é um estudo comparativo internacional realizado a cada três anos para avaliar o desempenho de alunos de 15 anos em ciências, leitura e matemática.

A cada ciclo de avaliação, uma das três áreas de conhecimento recebe maior ênfase. Em 2025, a área destacada foi ciências.

Segundo a organização, depois de uma queda "sem precedentes" registrada após a pandemia em 2022, os novos resultados mostram que o desempenho dos estudantes continua caindo em muitos países, o que indica problemas estruturais na educação global.

"O Pisa 2025 registrou o pior desempenho médio dos países da OCDE observado até agora. O desempenho em leitura caiu depois de atingir seu pico por volta de 2012, enquanto o desempenho em ciências apresentou uma queda mais gradual ao longo da última década, e o desempenho em matemática caiu de forma especialmente acentuada após 2018", diz o relatório.

A média da OCDE usada nessa comparação é calculada a partir do resultado de 23 países que fazem parte da organização desde o primeiro ano da avaliação, no ano 2000 —em sua ampla maioria são nações mais desenvolvidas. O Brasil não faz parte do grupo.

Em ciências, a média desses países foi de 486 pontos na última avaliação —17 pontos a menos do que o registrado em 2006. Em leitura, a média foi de 466 pontos —29 a menos do que há duas décadas. A maior queda foi registrada em matemática, com perda de 32 pontos no período, alcançando média de 469 pontos.

Considerando todos os 38 países que hoje compõem a OCDE, as médias de 2025 foram de 482, 461 e 463, respectivamente, em ciência, leitura e matemática.

São quedas consideradas expressivas, já que uma variação de 20 pontos na média do Pisa representa a progressão de um ano inteiro de aprendizagem. Ou seja, na média, os estudantes estão aprendendo um ano e meio a menos de conteúdo em matemática e leitura do que os jovens da mesma idade aprendiam há 20 anos.

De modo geral, os resultados apontam que 29% dos jovens de 15 anos dos países membros da OCDE registraram desempenho abaixo do esperado para a idade nas três áreas avaliadas. Em 2022, eram 25% dos estudantes nessa situação.

Mais de 760 mil estudantes de 15 anos, em 91 países e regiões do mundo, realizaram a prova do Pisa em 2025 —só no Brasil, foram mais de 30 mil jovens. Além das três áreas de conhecimento tradicionalmente avaliadas, a última edição também avaliou a capacidade de resolver problemas por meio de ferramentas computacionais.

Na contramão dos países membros da OCDE, o Brasil não registrou oscilações significativas na última década. Em ciências, os estudantes brasileiros tiveram média de 409 pontos, resultado parecido ao de 2015, com 401 pontos. Em matemática, o resultado permanece exatamente o mesmo de dez anos atrás, com média de 377 pontos.

Ao analisar os últimos 20 anos, no entanto, o Pisa destaca que o Brasil conseguiu reduzir a distância das nações mais ricas mesmo tendo, incluindo mais crianças na escola. O diretor de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, citou o país como um dos exemplos positivos da avaliação nesse período.

Em leitura, também praticamente não houve variação no período. Em 2025, a média foi de 408 pontos, um a mais do que o registrado em 2015.