O papa Leão 14 pediu "convivência com dignidade e paz", neste sábado (26), durante um encontro com migrantes, horas antes de uma missa para 600 mil pessoas na Champs-Élysées, em Paris , como parte de sua primeira visita à França . Leia mais (09/26/2026 - 08h44)
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26.set.2026 às 8h44 Atualizado: 26.set.2026 às 17h48
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Paris | AFP e Reuters
Pregando a uma multidão de 800 mil pessoas que se aglomeraram neste sábado (26) na famosa avenida Champs-Élysées, em Paris, o papa Leão 14 disse que católicos devem buscar a felicidade na fé, e não no dinheiro e bens materiais.
Na missa a céu aberto, o principal evento de sua visita de quatro dias à França que começou na sexta (25), o pontífice disse que "apenas Deus é capaz de preencher o vazio dentro de nós". Antes de realizar a missa, o bispo de Roma pediu "convivência com dignidade e paz" ao se encontrar com migrantes em uma ONG na capital francesa.
Enquanto partidos de ultra e extrema direita ganham terreno na Europa com retórica anti-imigração, o pontífice peruano-americano decidiu visitar a Casa Bakhita, uma associação católica que auxilia migrantes, onde ouviu os testemunhos de exilados do Afeganistão e da Nigéria.
"Estou feliz em começar este segundo dia em Paris com vocês, nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz", enfatizou Leão, neto de imigrantes.
O nome da casa, fundada em 2017 após o apelo do papa Francisco para "acolher, proteger e integrar" os estrangeiros, homenageia Josefina Bakhita (1869-1947), uma sudanesa escravizada que se tornou freira e, em 2000, foi canonizada pela Igreja Católica.
"Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem à escravidão hoje, a honrar a infinita dignidade de cada irmão e irmã", acrescentou Leão.
Para os responsáveis pelo centro, a visita do papa foi uma mensagem, especialmente porque a imigração deverá ser um dos temas centrais nas eleições presidenciais do próximo ano na França, onde a candidata de ultradireita Marine Le Pen lidera as pesquisas. Le Pen esteve presente na missa na Champs-Élysées, bem como o primeiro-ministro, Sebastien Lecornu, e Brigitte Macron, esposa do presidente Emmanuel Macron.
"Muito mais pessoas são a favor de acolher os migrantes e construir uma nova sociedade, esta civilização do amor da qual o papa fala", enfatizou Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para a Migração da Conferência Episcopal Francesa, após a visita à Casa Bakhita.
Desde sua eleição como papa em maio de 2025, Robert Francis Prevost tem frequentemente defendido a dignidade de exilados e refugiados e não hesitou em criticar as políticas de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump.
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A primeira visita papal a Paris desde Bento 16, em 2008, foi recebida com grande entusiasmo popular, no país oficialmente laico. Na sexta-feira (25), 300 mil pessoas o saudaram durante seu passeio no papamóvel pelas ruas da capital, e mais tarde, 80 mil jovens o receberam como uma estrela do rock durante uma vigília no Stade de France, ao norte de Paris.
Após a missa deste sábado, o líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo seguiu para o santuário de Lourdes, no sul da França, que recebe três milhões de visitantes por ano. Ele se encontrará em particular no domingo (27) com vítimas de abuso sexual na igreja e, no dia seguinte, concluirá sua viagem em Metz com um discurso sobre a paz e a União Europeia.
Mas as mensagens mais importantes foram transmitidas logo após sua chegada à França. Perante as autoridades francesas, Leão 14 abordou na sexta-feira o laicismo —que "não consiste em excluir a religião da esfera pública"— bem como os perigos da inteligência artificial e da eutanásia.




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