Só idiotas gastariam 98 minutos no cinema assistindo "Idiotas". Davis e Mark são dois losers que não se conhecem e acabam juntos ao aceitar o seguinte emprego: levar jovens para a reabilitação. Leia mais (08/31/2026 - 15h00)
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Curiosamente, o filho de um bilionário não é levado para a clínica pelo motorista da família, mas entregue a um esquema de fundo de quintal, com um carro caindo aos pedaços e os dois inexperientes.
O rapaz, interpretado por Mason Thames, é uma espécie de gênio do mal que vai colocar a dupla em apuros dignos da Sessão da Tarde.
O tsunami de clichês é infindável. Dois caras que não se bicam são obrigados a trabalhar juntos. Uma pochete cheia de drogas. Uma stripper russa chamada no meio da noite. O chamado à responsabilidade quando tudo parece perdido.
Logo na apresentação de Davis, vivido por O’Shea Jackson Jr., ele é demitido de uma igreja depois de levar um grupo de crianças para assistir a "Anticristo", de Lars von Trier. Ele acreditava se tratar de um filme sobre Jesus.
Então entra Mark, personagem de Dave Franco, ator que certamente se acha engraçado —caso contrário, não teria emprestado ao projeto seu nome e seu trabalho como produtor, ajudando no financiamento e nas escolhas de elenco.
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Mais impressionante é que "Idiotas" tenha estreado em janeiro no prestigiado Festival de Sundance. E houve quem achasse graça: a cobertura do próprio Sundance Institute registrou que "gargalhadas incontroláveis" ecoavam pela sala durante a sessão.
Mais impressionante ainda é que o diretor Macon Blair e o produtor executivo Jeremy Saulnier vêm do cinema independente e fizeram, entre outros, o espantosamente violento "Sala Verde", de 2015.
Dirigido por Saulnier, esse filme acompanha uma banda punk que aceita tocar num clube isolado frequentado por neonazistas.
Depois de presenciarem um assassinato nos bastidores, os músicos ficam presos num camarim e precisam encontrar uma maneira de escapar. Patrick Stewart interpreta o líder dos neonazistas, enquanto Blair está no elenco e também trabalhou como coprodutor.
Blair e Saulnier são amigos desde a escola e fazem filmes juntos desde meninos. Tinham 11 e 12 anos quando rodaram uma produção caseira inspirada no cinema de ação dos anos 1980, com armas de brinquedo, perucas e efeitos especiais improvisados.
Décadas depois, a parceria resultou em "Ruína Azul", de 2013. Saulnier escreveu e dirigiu o thriller de vingança tendo Blair como protagonista. Realizado com poucos recursos, o filme chegou à Quinzena dos Realizadores de Cannes e ganhou um prêmio da crítica internacional, a Fipresci.
Blair então passou à direção. Seu primeiro longa, "Já Não Me Sinto Em Casa Nesse Mundo", com Melanie Lynskey e Elijah Wood, estreou em Sundance em 2017 e saiu de lá com o Grande Prêmio do Júri da competição dramática americana.




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