Manifesto cobra que governos não apoiem ofensiva americana contra embarcações de supostos narcotraficantes

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22.set.2026 às 21h28

A deputada do Partido Democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, juntou-se a mais de 70 parlamentares americanos e de outros 12 países das Américas para um abaixo-assinado que condena os ataques dos Estados Unidos contra embarcações no Caribe e no Pacífico e classifica as mortes provocadas pelas operações como "execuções extrajudiciais".

Duas deputadas brasileiras —Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG)— integram o grupo que assina a declaração conjunta e pede ao governo americano que encerre "imediata e permanentemente" os ataques. A plataforma Airwar monitora os ataques desde o setembro do ano passado e contabiliza que 234 pessoas foram mortas em 67 ataques que já atingiram 71 barcos na região.

O grupo também cobra que outros países da região não contribuam para as operações por meio do compartilhamento de informações de inteligência, da cessão de bases e instalações militares, de apoio logístico ou de outras formas de cooperação.

Além de AOC, entre os signatários americanos mais conhecidos estão o as deputadas democratas Pramila Jayapal, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, integrantes da ala mais progressista do partido. Também assinam o documento os deputados Ro Khanna, Greg Casar, Jonathan Jackson, Nydia Velázquez, Jesús "Chuy" García, Delia Ramirez, Summer Lee, Hank Johnson e Jan Schakowsky.

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A lista reúne representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai, além de Porto Rico.

Segundo os signatários, não há evidências de que os alvos atingidos pelos EUA representassem uma ameaça iminente que justificasse o emprego de força letal. O texto diz ainda que as operações colocam em risco comunidades costeiras e pesqueiras e violam direitos fundamentais.

O grupo também contesta a eficácia da ofensiva no combate ao narcotráfico e manifesta preocupação com a possibilidade de a campanha ser ampliada para alvos em terra. O governo Trump já indicou que pretende dar continuidade às operações e expandi-las.

Os legisladores afirmam que o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional exige cooperação internacional, mas dizem que essa atuação deve respeitar o direito internacional, os direitos humanos e a soberania de cada país. Também defendem transparência, controle democrático das políticas de segurança, investigações judiciais e medidas de combate à corrupção.

Para Francesca Emanuele, associada sênior de política internacional do CEPR (sigla em inglês para Centro de Pesquisa de Política Econômica) os contínuos ataques dos Estados Unidos contra embarcações são inseparáveis da tentativa do governo Trump de dominar a América Latina e Caribe e aprofundar sua militarização, sob o pretexto de combater o que chama, de forma equivocada, de narcoterrorismo.

"Qualquer país do hemisfério que se recuse a se alinhar às posições de Washington pode se tornar o próximo alvo de uma ação militar dos Estados Unidos", diz, ressaltando o perigo dos precedentes criados.

Nesta terça-feira (22), o Escudo das Américas, aliança de nações com líderes conservadores criado pelo governo Trump, divulgaram um documento em que aderem à decisão dos EUA de designarem grupos criminosos como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

A lista inclui Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Os efeitos práticos da medida ainda não estão claros, mas, segundo analistas, o movimento ajuda a preparar o terreno para possíveis ataques militares contra grupos criminosos acusados de tráfico de drogas.