Para animais em cativeiro, a manifestação de comportamentos naturais é um dos pilares do quadro de bem-estar animal. Mas, quando se trata de sexo, um comportamento importante tem sido amplamente ignorado e, às vezes, até punido: a masturbação. Leia mais (06/27/2026 - 06h00)
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Chloe Heys Professora de biologia na Universidade de Lancashire (Reino Unido)
Professor associado na Universidade de Swansea (Reino Unido)
Pesquisadora de pós-doutorado em bologia evolutiva na Universidade de Oxford (Reino Unido)
Para animais em cativeiro, a manifestação de comportamentos naturais é um dos pilares do quadro de bem-estar animal. Mas, quando se trata de sexo, um comportamento importante tem sido amplamente ignorado e, às vezes, até punido: a masturbação.
O sexo a solo é surpreendentemente comum em todo o reino animal. Isso está bem documentado nos primatas. As tartarugas são surpreendentemente barulhentas durante suas tentativas de sexo a solo, embora não sejam muito graciosas. Os camelos se masturbam esfregando o pênis na areia e os porcos-espinhos fazem uso criativo de todos os tipos de objetos.
Nosso novo estudo pode mudar a forma como outros cientistas encaram a masturbação em aves e melhorar o bem-estar delas.
A masturbação também parece ser comum entre as aves. Uma rápida pesquisa na internet revela uma abundância de vídeos nas redes sociais e postagens dedicadas em fóruns sobre criação de aves, em grande parte de criadores amadores preocupados ou perplexos.
Ela tem sido frequentemente tratada como um comportamento problemático anormal em aves em cativeiro (principalmente papagaios). A crença popular entre os criadores assume ser um resultado indesejável causado por estresse, saúde precária ou ambiente inadequado. Por isso, os criadores de aves frequentemente tentam coibir a masturbação por meio de punições ou intervenções veterinárias, como mudanças na dieta ou nos cuidados e, às vezes, até medicamentos e cirurgias. Apesar das implicações para o bem-estar, a masturbação em aves foi amplamente inexplorada pela comunidade científica.
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Decidimos mudar isso, investigando pela primeira vez a distribuição e a história evolutiva da masturbação em aves. Estudamos 120 espécies de aves em 22 grupos principais, reunindo dados da literatura científica dispersa, de relatos online e fóruns de comunidades, além de pesquisas com especialistas em aves.
Nosso estudo constatou que a masturbação é amplamente difundida entre as aves e possui uma sólida história evolutiva, o que significa que é uma característica antiga, provavelmente semelhante em espécies intimamente relacionadas. Embora tenhamos encontrado mais registros de masturbação em aves machos, ela ocorre em ambos os sexos e em todas as faixas etárias.
O sexo a solo também parece estar ligado a espécies que acasalam com múltiplos parceiros, reforçando a ideia de que isso pode ajudar a aumentar o sucesso reprodutivo quando há um alto grau de competição pela fertilização. Por exemplo, nos machos, ela pode eliminar espermatozoides antigos para deixar espermatozoides mais novos (em melhor condição) para o acasalamento. Nas fêmeas, pode aumentar a excitação sexual para facilitar o acasalamento furtivo com machos que não sejam seus parceiros.
Fundamentalmente, descobrimos que a masturbação é, na verdade, menos comum em cativeiro do que na natureza, e mais comum em aves criadas pelos próprias espécies do que por humanos. O que isso nos diz é que a masturbação em aves não é um comportamento antinatural, nem uma consequência do cativeiro. Diante dessa descoberta, é importante que as aves não sejam impedidas de se masturbar. É claro que, como em qualquer comportamento, pode haver casos extremos em que a masturbação crônica possa indicar problemas de saúde ou de manejo.



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