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A profusão de projetos aprovados pelo Congresso Nacional com profundo impacto nas contas públicas —e na avaliação do mercado sobre a condução do governo Lula— conta com a participação nada desprezível de setores da própria base, seduzidos pelo apelo que determinados acenos podem ter sobre categorias importantes às portas da disputa eleitoral.

Só o Senado tem mais de duas dezenas de propostas que estabelecem pisos remuneratórios para grupos importantes, como médicos e garis. "E você viu quem foi que pediu a votação do piso dos trabalhadores de limpeza urbana?", indagou um senador da base do governo à coluna. "Foi o Fabiano Contarato (PT-ES)", concluiu, em tom de ironia e espanto.

Contarato não é um quadro qualquer. Ele foi líder da bancada petista no Senado, presidiu comissões importantes e é visto como uma peça estratégica dentro da Casa. Ainda assim, aparentemente sucumbiu à proximidade das eleições.

Sem goleiro, o governo está dependendo de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, para conter danos. O problema é que ele e Lula estão às turras desde a rejeição de Jorge Messias, o advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal.

"Deus me perdoe, mas o ideal seria o Senado entrar de recesso mais cedo. Tá um festival de maluquice. Semana que vem vai haver sessão do Congresso para analisar vetos. O trabalho é para evitar uma hecatombe, porque a derrota já é certa", avaliou um aliado de Lula no Congresso.

Um dos itens pautados para análise é um projeto que —veja— obriga estatais a absorverem servidores da Eletrobras que porventura tenham sido ou sejam demitidos após a privatização da empresa.

Ou seja: o Congresso aprovou a venda da companhia para o capital privado. Os funcionários, por óbvio, também passam à gestão privada. Mas, para acenar aos eletricitários, busca-se transferir o custo do novo modelo de gestão para... o Estado.

"Esse projeto tem apoio do PSOL ao PL. Lula vetou, por óbvio, e o veto deve cair", avaliou o aliado do presidente. "Ano de eleição é isso. Não tem governo nem oposição. É cada um por si, e ninguém pela viúva", arrematou, numa referência ao Tesouro Nacional.

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