Julgamento de Moraes fica suspenso por até 90 dias, que podem ser prorrogados por outros 90.

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Julgamento de Moraes fica suspenso por até 90 dias, que podem ser prorrogados por outros 90.

Domingos Grilo Serrinha (correspondente no Brasil)

Um pedido de vistas, mais tempo para analisar o processo, suspendeu no final da noite desta terça-feira o julgamento iniciado pela manhã no Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro contra o juiz Alexandre de Moraes, suspeito de ligações indevidas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por corrupção, burlas generalizadas e suborno a autoridades, que tinha a esposa do magistrado, Viviane de Moraes, como principal advogada. O pedido de vistas foi feito no meio de uma acalorada discussão pelo juiz Flávio Dino, nomeado por Lula da Silva, de quem foi ministro da Justiça, aliado de Moraes.

Com isso, pelas regras internas do STF, o julgamento de Moraes fica suspenso por até 90 dias, que podem ser prorrogados por outros 90, ou até que Flávio Dino devolva o caso para a retomada da análise do tribunal. Um pedido de vistas de algum aliado de Alexandre de Moraes já era previsto, como forma de evitar o julgamento e um possível afastamento do juiz, mas apanhou a todos de surpresa por ter ocorrido ao início da noite, muitas horas após o início do julgamento, e não logo pela manhã, como se esperava.

Ao longo de muitas horas de tensão e tumulto, vários juízes trocaram gritos e ofensas entre si, como Gilmar Mendes com André Mendonça, Flávio Dino com o presidente do tribunal, Edson Fachim, e Alexandre de Moraes contra André Mendonça. No que parece ter sido uma estratégia combinada, Flávio, Gilmar e Moraes apresentaram inúmeras petições, dificultando a análise das acusações e a tomada de uma decisão.

Os três desafiaram ao longo de todo o dia a autoridade e as decisões do presidente do STF, Edson Fachim, e chegaram a cortar-lhe a palavra em várias ocasiões. Fachim mostrou-se em todos os momentos inseguro, hesitante e sem forças para conter os colegas que o desafiavam, e perdeu o controle da situação.

Alexandre de Moraes estava a ser julgado para que os colegas decidissem se o investigavam e afastavam após a divulgação de mensagens comprometedoras que parecem ligá-lo ao banqueiro, que é acusado de comandar o maior esquema de fraudes já descoberto no sistema financeiro do Brasil. As mensagens constam num relatório oficial da Polícia Federal encaminhado a André Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro, relator dos casos contra Vorcaro, que decidiu torná-las públicas ao sentir-se ameaçado, iniciando a maior crise da história de 135 anos de existência do STF.

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