"Parto para Peniche sabendo que as coisas não dependem só de mim", assume Guilherme Ribeiro, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, na antecâmara do ...
A Praia dos Supertubos vai receber, este fim de semana, a quinta e última etapa do campeonato nacional de surf. Francisco Ordonhas chega a Peniche na condição de líder, com 3.220 pontos, e é o principal favorito a erguer o troféu, mas, logo atrás, encontra-se Guilherme Ribeiro, que, com 2.710 pontos, recusa 'atirar a toalha ao chão'.
Natural da Costa da Caparica, o surfista de apenas 24 anos de idade sabe, de antemão, que, para ultrapassar o cascalense, está obrigado, não só a vencer, como ainda a torcer para que este não chegue às meias finais. A pressão é muita, mas, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o próprio garante que não se deixa afetar.
"Sim, parto para Peniche sabendo que as coisas não dependem só de mim, mas não é a primeira vez que isso acontece e não há de ser a última. No ano em que fui vice-campeão nacional aconteceu o mesmo. Acabei por não me sagrar campeão, mas ganhei a etapa de Peniche", começou por afirmar.
"Vou controlar o que tenho de controlar e focar-me em mim, não nos outros. Sempre o fiz até aqui, por isso acho que é manter essa estratégia: focar-me no que é importante e avançar o máximo possível na competição. Sei que preciso de ganhar, por isso o primeiro passo é chegar à final, mas, até lá, há muitos 'heats' difíceis para passar", acrescentou.
Ainda assim, garante, há valores que se sobrepõem à rivalidade com Francisco Ordonhas, com quem mantém uma relação de amizade: "Somos colegas de seleção e apoiamo-nos uns aos outros quando estamos a competir lá fora, por isso pode-se dizer que é uma rivalidade bem tranquila".
"Claro que, quando competimos uns contra os outros, as amizades ficam à parte, mas gostamos de nos apoiar quando precisamos, principalmente lá fora. Acho que o tema da rivalidade acaba por quase nem ser um tema, porque a rivalidade só existe quando estamos os dois de lycra, a competir um contra o outro", apontou.
Apesar da 'tenra' idade, Guilherme Ribeiro tem em mãos a oportunidade de se sagrar campeão nacional já pela terceira fez, depois de o ter feito em 2022 e 2024, algo que, a acontecer, lhe permitiria, por exemplo, igualar o registo de Frederico Morais (Kikas, como é conhecido no meio), mas, também neste plano, 'serenidade' é a palavra de ordem.
"É verdade, o terceiro título nacional pode chegar este fim de semana. Tenho 24 anos e já fui duas vezes campeão nacional e uma vez vice-campeão. Mas não é algo em que pense muito nem que esteja na minha cabeça. O número de três títulos não é um objetivo meu", garantiu a jovem promessa.
"Há imensos nomes de topo com essa quantidade de títulos, desde o Kikas ao João Antunes, da Costa da Caparica, que também tem três títulos de campeão nacional, por isso igualá-los seria algo incrível. Mas não é algo que tenha na cabeça nem que me afete; é algo que me dá motivação para chegar o mais longe possível em todos os meus objetivos", completou.
Guilherme Ribeiro chega à decisiva prova de Peniche na 'ressaca' daquela que foi a primeira vez na carreira em que participou no circuito principal da WSL (Liga Mundial de Surf), na qualidade de 'wildcard', tendo mesmo chegado aos quartos de final. Ainda assim, garante, não quer ficar por aqui.
"Foi uma semana incrível, é o que posso dizer. Foi uma experiência que aproveitei ao máximo, dentro e fora de água, e não mudava nada do que fiz nessa semana em Peniche, durante a etapa do WSL. Estou muito orgulhoso de todas as decisões e da maneira como lidei com tudo o que aconteceu, desde competir contra os melhores do mundo às entrevistas e aos fãs", confessou.
"Foi tudo inacreditável. Só me dá mais força e mais fome para estar ali permanentemente, sem precisar de um 'wildcard' para ter este tipo de experiências. É isso que levo desta semana: uma vontade gigante de lá estar e uma força gigante para atacar as últimas etapas do Challenger Series que ainda temos, dar o meu melhor e estar entre os melhores do mundo no próximo ano", concluiu
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