A primeira impressão é a melhor. Anne Pinheiro Guimarães , diretora e roteirista de " Pequenas Criaturas ", começa explorando bem os espaços de Brasília : a planície, a horizontalidade às vezes cortada por uma edificação monumental, a sensação de monocromatismo, a paisagem e a natureza. Leia mais (07/20/2026 - 04h00)

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Inácio Araujo Pequenas Criaturas

Quando Estreia nesta qui. (23) nos cinemas Classificação 16 anos Elenco Carolina Dieckmmann, Letícia Sabatella e Caco Ciocler Produção Brasil, 2025 Direção Anne Pinheiro Guimarães

A primeira impressão é a melhor. Anne Pinheiro Guimarães, diretora e roteirista de "Pequenas Criaturas", começa explorando bem os espaços de Brasília: a planície, a horizontalidade às vezes cortada por uma edificação monumental, a sensação de monocromatismo, a paisagem e a natureza.

Mas surge um problema: o que fazer com isso? Um filme de época, por exemplo: meados dos anos 1980, a cidade agitada pela passagem de uma era a outra, do autoritarismo à democracia. Passagem turbulenta.

No filme, entretanto, Helena, papel de Carolina Dieckmmann, enfrenta sua própria turbulência: o marido parte para uma longa viagem, o que é uma forma de apresentar o aeroporto de Brasília da época e dizer que ele a abandonou.

Helena agora vive com os dois filhos num condomínio de classe média. No que trabalha? O marido lhe manda dinheiro? O filme não trata disso. Ela se afunda em problemas existenciais. É uma mulher de classe média e de meia-idade nos anos 1980 do século passado.

O filho mais velho tem a bicicleta roubada, o pequeno usa uma máscara de macaco e Helena sofre. Sofre e fuma. Aos poucos, os vizinhos dão as caras. Há Angela, personagem de Letícia Sabatella, a "mulher livre", que, sabemos, já teve um caso com um fulano da região.

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Há a filha da vizinha, adolescente que os rapazes cortejam. Há o adolescente amigo do filho adolescente, que inventa um pequeno furto. Há até um homem solitário com todo jeito de querer amizade e talvez mais do que isso com o filho menor.

Aqui, o filme retrata os problemas que surgem com o fim de um casamento monogâmico para uma mulher despreparada para o mundo fora do lar, mas também no que isso implica para as crianças. O sumiço do pai e a estranheza que segue o eventual surgimento de outro homem são alguns exemplos.

Helena dá pouca atenção a tudo isso. Preocupa-se com a própria tristeza. Ela é mitigada pela presença do simpático rapaz que a salva de uma pane em seu carro numa estrada isolada. Por milagre, o homem está hospedado no mesmo condomínio. A mulher passa a se ocupar dele, e ele lhe dá bons momentos, meio infantis na verdade, como a ida a um parque de diversões. Mas a aventura parece não ter consequências.

O fato é que "Pequenas Criaturas", além de falar mal de Brasília (ou os personagens falam, o que no caso é quase o mesmo), por vezes parece um avião que taxia, taxia e taxia, mas nunca levanta voo.

Com isso, o filme arrisca se afundar no moralismo banal. Uma mulher, desprovida do marido (e protetor?), está sujeita ao contato com o outro. E o outro sempre representa algum tipo de ameaça ou perigo.