A Polícia Civil de Belo Horizonte diz haver indícios de que a diarista Paola Stefany Neto Cirino foi à residência dos idosos assassinados a facadas com a intenção de dopá-los e roubá-los. A perícia encontrou vestígios do calmante clonazepam no sangue do casal, mas não em Paola, que havia relatado ter tomado o remédio por ter tido um "surto psicótico". Segundo o delegado Gustavo Barletta, embora ela tenha afirmado ter ingerido o medicamento, exames não identificaram qu
A Polícia Civil de Belo Horizonte diz haver indícios de que a diarista Paola Stefany Neto Cirino foi à residência dos idosos assassinados a facadas com a intenção de dopá-los e roubá-los. A perícia encontrou vestígios do calmante clonazepam no sangue do casal, mas não em Paola, que havia relatado ter tomado o remédio por ter tido um "surto psicótico". Segundo o delegado Gustavo Barletta, embora ela tenha afirmado ter ingerido o medicamento, exames não identificaram qualquer resquício da substância em seu organismo. Em audiência de custódia nesta sexta-feira, a prisão em flagrante da suspeita foi convertida em preventiva.
Diarista presa em MG relatou que 'vozes' mandaram matar idosos; perícia aponta mais de 40 facadasDiarista que matou casal em BH vende relógios de luxo roubados, avaliados em R$ 108 mil, e comprador devolve itens à polícia
— O laudo pericial informa que o seu sangue (da diarista) não apresenta nenhum tipo de vestígio desse remédio, nem ao menos a sua urina. O que indica um indício de que ela já compareceu àquela residência com a intenção de dopar as suas vítimas e realizar a subtração dos bens que estavam na residência — diz o delegado.
A perícia também apontou que o clonazepam, que possui efeito sedativo e ansiolítico, foi encontrado no sangue das vítimas. Segundo a investigação, há suspeitas de que Paola tenha usado uma quantidade superior à informada em depoimento para reduzir a possibilidade de reação do casal.
A Polícia Civil também identificou a placa do carro por aplicativo usado por Paola para chegar ao centro de Belo Horizonte e localizou o motorista. Segundo Barletta, ele foi ouvido e não teve qualquer participação no crime.
— A Paola foi trabalhar na casa dos idosos pela primeira vez, ela não os conhecia. Ela saiu do edifício em um carro de aplicativo. Nós identificamos o motorista, ele foi ouvido, e foi identificado que ele não teve qualquer participação no crime. Ele comprovou, com documentos, que a corrida foi totalmente profissional — afirmou o delegado.
Outro elemento considerado relevante para a investigação foi uma ligação recebida pelo advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, pouco antes do crime. Segundo Barletta, um familiar o convidou para assistir ao jogo do Brasil, mas ele recusou porque havia uma pessoa nova trabalhando em sua casa.
De acordo com a investigação, Paola sedou e matou a facadas Cláudio e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, antes de furtar joias, dinheiro e outros bens do apartamento. Entre os objetos levados estavam relógios de luxo avaliados em R$ 108 mil, vendidos posteriormente na Praça Sete, na região central da capital mineira.
Os relógios foram localizados e devolvidos pelo comprador à Polícia Civil na quinta-feira. Em nota, a corporação afirmou que, até o momento, não há indícios de que ele tenha agido de má-fé.
— O comprador dos relógios de luxo chegou à delegacia com os itens, prestou depoimento, foi ouvido e entregou os relógios. Se durante as investigações for comprovado que ele tinha outro tipo de envolvimento com o crime, ele responderá criminalmente — pontuou Barletta.
Segundo o Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, da Polícia Civil de Minas Gerais, a principal linha de investigação é a de latrocínio (roubo seguido de morte).
Paola foi presa na madrugada de quinta-feira (2), em Itabira, na região central de Minas Gerais. Em depoimento, confessou o crime, afirmou que ouviu "vozes" durante um "surto psicótico" e disse ter colocado comprimidos do calmante na bebida servida ao casal antes dos assassinatos. De acordo com Barletta, ela se mostrou "bastante confusa" durante o interrogatório, apresentou "falas desconexas" e demonstrou arrependimento.
O delegado também revelou que o primo de Maria Clotilde, responsável por indicar Paola para trabalhar na casa dos idosos, passou a suspeitar que também tenha sido dopado pela diarista.
— O primo que indicou Paola também foi ouvido. Ele relatou que ela realizava trabalho, pelo menos duas vezes por semana, em sua residência. Ele contou que, agora, depois do duplo homicídio, suspeita que também tenha sido dopado por ela. Em um episódio, ele passou mal — contou Barletta.
Segundo o delegado, as investigações estão na fase final.
— As investigações já estão caminhando para o final. Se algum outro produto roubado for identificado, constará no relatório final. Agora, vamos consolidar todas as informações que temos no documento de inquérito — concluiu.
Paola Stefany Neto Cirino foi presa sob acusação de matar um casal de idosos em um apartamento de alto padrão em Belo Horizonte. No interrogatório, ela disse que foi ao local para realizar um serviço de limpeza e que decidiu furtar joias, relógios, dinheiro e outros objetos de valor depois de encontrá-los no quarto do casal. Questionada pelo delegado sobre por que matou as vítimas "de forma tão cruel", respondeu que não tinha nada contra elas.
— Ela alegou que nunca havia visto essas pessoas na vida. Inclusive, estava bastante arrependida, mas que algumas vozes, por surto psicótico, teriam decidido que, para além da subtração dos objetos, deveria retirar a vida das pessoas com a faca, esse meio cruel que ela utilizou — detalhou Barletta.
Segundo o delegado, Paola afirmou ter pegado remédios que ela mesma usava em tratamento psiquiátrico contra a depressão, colocado quatro comprimidos de um "calmante fortíssimo" em um suco servido ao casal e aguardado entre 30 e 40 minutos até que eles começassem a adormecer.
— Ela decidiu, então, passar às agressões com a faca. Ela disse que, posteriormente a perceber que eles estavam mortos, e ela tentou se garantir disso, que eles não iriam mais reagir, passou a se limpar. Perguntei se ela tomou banho, ela nega, [mas] acredito que ela tenha tomado, a perícia encontrou vestígios disso. Ela assume que trocou de roupas, utilizou roupas da vítima, da senhora, e também pegou a faca que foi utilizada e limpou. Essa faca está na casa. A gente vai tentar apreender essa faca e fazer uma perícia — ressaltou.




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