Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e Região
22/08/2026 03h00 Atualizado 22/08/2026
O pesquisador Fábio Piantoni, da Unicamp, criou a personagem Aparecida Eule para analisar canções de Sandy. O trabalho repercutiu e chamou a atenção da cantora.
Publicado na Revista Rua, o artigo analisa a construção da autonomia feminina. Sandy comentou em uma rede social que se sentiu homenageada pelo trabalho acadêmico.
O estudo acompanha a trajetória da artista da infância à carreira solo. A análise conceitua a conquista de uma "primeira voz" e o amadurecimento feminino.
O texto questiona a ideia de definir mulheres apenas por papéis de mãe, esposa ou cuidadora. Para o autor, essas identidades não esgotam a experiência feminina.
A personagem foi inspirada em cuidadoras após o pesquisador passar por tratamentos em 2024. Eule debate sobre vida, envelhecimento e relações enquanto analisa as músicas.
Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy
Liberdade, autonomia, crescimento pessoal e a busca pela própria identidade estão entre os temas discutidos em um artigo científico da Unicamp que analisa canções de Sandy.
Publicado na Revista Rua, do Laboratório de Estudos Urbanos do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade, o artigo "Há Sandy entre nós, mas é você quem mais julga" usa músicas da cantora de Campinas (SP) para discutir como mulheres constroem a própria voz ao longo da vida.
A pesquisa repercutiu além do meio acadêmico e chegou à própria cantora. Em uma publicação nas redes sociais sobre o trabalho, Sandy chegou a comentar que se sentia homenageada.
O texto foi assinado por Aparecida Eule, uma idosa que não existe fora das páginas da pesquisa. A personagem é um heterônimo criado pelo professor de Língua Portuguesa e pesquisador Fábio Piantoni, que explicou ao g1 a origem da autora fictícia e os objetivos da análise.
A escolha de Sandy para o estudo está ligada à relevância histórica da artista para diferentes gerações de brasileiros. Para o pesquisador, a cantora construiu ao longo da carreira uma trajetória que simboliza a conquista de uma "primeira voz" feminina, tornando-se referência de autonomia e liberdade para falar sobre as próprias experiências.
"A importância da Sandy é histórica", afirmou. "Ela é linguagem, ela é música, ela é imagem, ela é valor social."
Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy e chama atenção da cantora — Foto: Redes sociais
Fã da artista desde a adolescência, Piantoni disse que encontrou na carreira de Sandy uma trajetória capaz de ilustrar processos de amadurecimento e construção da autonomia feminina.
A pesquisa acompanha simbolicamente diferentes momentos da vida da cantora: da infância na dupla com o irmão Junior à carreira solo, quando passa a assumir cada vez mais espaço como compositora e intérprete das próprias experiências.
É nesse ponto que surge um dos conceitos centrais do artigo: o de "primeira voz". Segundo o artigo, Sandy deixa de ocupar apenas lugares construídos em relação a outras pessoas e passa a se apresentar como sujeito da própria narrativa, cantando seus conflitos, dúvidas e escolhas.
Embora tenha partido da obra de Sandy, o estudo discute questões mais amplas sobre a condição feminina.
O texto questiona a ideia de que mulheres devam ser definidas apenas pelos papéis de mãe, esposa ou cuidadora. Segundo Piantoni, essas identidades não esgotam a experiência feminina e muitas vezes escondem desejos, interesses e projetos próprios.




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