Instituto será o primeiro a testar, ao mesmo tempo, os possíveis efeitos de dois episódios que dominaram o noticiário político nas últimas semanas

Priorizar nos meus resultados Google A corrida presidencial de 2026 terá um novo capítulo nesta quarta, 1º de julho, com a divulgação da pesquisa AtlasIntel. O levantamento chega cercado de expectativa não apenas por medir novamente a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas por ser o primeiro grande instituto a testar, ao mesmo tempo, os possíveis efeitos de dois episódios que dominaram o noticiário político nas últimas semanas: o racha público entre Michelle Bolsonaro e Flávio e o avanço das investigações do caso Banco Master, que atingiu tanto a oposição quanto o governo, culminando na saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado.

Registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04582/2026, a pesquisa ouve 5.000 eleitores entre os dias 25 e 30 de junho. A margem de erro é de apenas um ponto percentual, uma das menores entre os institutos que acompanham regularmente a disputa pelo Palácio do Planalto.

A pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho trouxe um retrato diferente daquele observado pelos demais institutos ao longo do mês. Depois de uma sequência de levantamentos indicando ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, o instituto registrou estabilidade tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Na principal simulação de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, exatamente os mesmos números registrados em maio.

Já no primeiro turno, o presidente soma 41% e o senador registra 31%. Atrás dos dois aparecem Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 3% cada, seguidos por Aécio Neves (PSDB), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins, todos com 2%.

Os números reforçam um padrão observado desde o início da pré-campanha: apesar das oscilações dos líderes, nenhum dos demais pré-candidatos conseguiu romper a polarização entre Lula e Flávio.

Os quatro principais institutos nacionais que divulgaram pesquisas em junho produziram um cenário relativamente convergente.

Quaest, BTG/Nexus e CNT/MDA apontaram ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro ao longo das últimas semanas. O Datafolha, por sua vez, registrou estabilidade, sugerindo que o movimento de desgaste do senador pode ter perdido intensidade.

Em comum, todos os levantamentos mantiveram Lula na liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno e confirmaram Flávio como o principal nome da oposição, sem que surgisse uma candidatura competitiva capaz de quebrar a polarização.

Essa é uma das principais dúvidas da campanha neste momento.

As pesquisas divulgadas logo após a revelação do caso Banco Master registraram crescimento da vantagem de Lula e aumento da rejeição ao senador. A Quaest mostrou, por exemplo, que 65% dos eleitores consideravam um erro o pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

O Datafolha, porém, não registrou nova deterioração relevante dos números do senador, sugerindo que os efeitos mais imediatos do episódio podem já ter sido absorvidos pelo eleitorado.

A AtlasIntel poderá indicar se essa estabilização realmente se consolidou ou se o desgaste continua produzindo efeitos.

Se o caso Banco Master abriu uma frente de desgaste para Flávio Bolsonaro, a investigação envolvendo Jaques Wagner criou uma nova variável para a campanha de Lula.

O Datafolha iniciou sua coleta antes da operação da Polícia Federal contra o então líder do governo no Senado e, por isso, praticamente não conseguiu medir o impacto político do episódio.

A AtlasIntel será o primeiro levantamento nacional realizado integralmente após a repercussão da investigação e depois da saída de Jaques Wagner da liderança do governo, podendo indicar se o caso produziu algum reflexo eleitoral para o Palácio do Planalto.

Além das intenções de voto, a AtlasIntel preparou um dos questionários mais amplos desta pré-campanha.

O instituto testará treze nomes para a Presidência da República, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Aécio Neves, Joaquim Barbosa, Augusto Cury, Cabo Daciolo, Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Hertz Dias e Edmilson Costa.

Em um cenário alternativo, também serão avaliadas as candidaturas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

A pesquisa ainda medirá a imagem de lideranças como Tarcísio de Freitas, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Geraldo Alckmin, Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e Janja.