O preço do petróleo atingiu o seu menor valor desde o começo da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, com a retomada do tráfego dos navios-petroleiro pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Leia mais (06/24/2026 - 11h14)
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24.jun.2026 às 11h14 Atualizado: 24.jun.2026 às 19h18
O preço do petróleo atingiu o seu menor valor desde o começo da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, com a retomada do tráfego dos navios-petroleiro pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O barril Brent, referência global, já registrava queda desde o início da sessão, mas estava na casa de US$ 76. A partir das 8h (horário de Brasília), a desvalorização foi acentuada com o anúncio da retomada da navegação em Hormuz feito pela OMI (Organização Marítima Internacional), agência de navegação da ONU.
A cotação seguiu caindo durante o dia, fechando com queda de 4,45%, a US$ 73,38 —o menor registrado desde o início do conflito. Até então, a cotação mais baixa era de US$ 75,75, em 2 de março, primeiro dia de negociação pós-guerra.
Em 27 de fevereiro, um dia antes do conflito começar, o petróleo fechou o dia cotado a US$ 72,48, com mínima de US$ 70,33 na sessão. No dia seguinte, os EUA e Israel bombardearam Irã, mas o mercado estava fechado, já que era sábado. As negociações só foram retomadas na segunda-feira, 2 de março.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também chegou a cair mais de 4% nesta quarta-feira, sendo negociado abaixo de US$ 70. Ao fechamento, estava com alta de 0,03%, a US$ 69,87.
A queda da cotação do commodity foi influenciada pela retomada da navegação em Hormuz, o que traz alívio para a retomada do fornecimento de petróleo principalmente à Ásia e Europa. Segundo a OMI, os navios começaram a transitar em direção a Hormuz sob um novo esquema da agência para evacuar embarcações presas ali pelo conflito.
"Navios já começaram a passar sob o plano", disse um porta-voz da OMI na quarta-feira, recusando-se a fornecer detalhes sobre as embarcações que cruzaram. A organização disse que 11 mil marinheiros estão nas mais de 500 embarcações retidas no golfo Pérsico.
Pelo menos dois navios graneleiros e um navio de carga navegaram pelo estreito de Hormuz sob o esquema nas últimas 12 horas, mostraram dados de rastreamento de navios da LSEG na quarta-feira.
Três petroleiros retidos transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto também estavam saindo do estreito de Hormuz, com dois seguindo para a Ásia, mostraram dados de navegação. Não estava claro se essas embarcações saíram sob o esquema da OMI.
Pelo menos 35 navios menores, principalmente graneleiros, cargueiros e porta-contêineres, além de cinco petroleiros e rebocadores, estavam se preparando para navegar pelo estreito, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG e MarineTraffic baseados em análise da Reuters sobre movimentos de embarcações.
Sob o esquema, que a OMI disse ter sido possível iniciar após os EUA e o Irã chegarem a um acordo de cessar-fogo, as embarcações poderão usar duas rotas temporárias para sair —uma rota norte via águas iranianas e uma rota sul via "águas coordenadas pelo Sultanato de Omã/Estados Unidos".
"As embarcações devem aguardar instruções antes de prosseguir", comunicou a OMI em uma nota sobre o esquema emitida na quarta-feira. "A superlotação da área de espera resultará apenas na necessidade de pausar novas notificações para a segurança da navegação".
O chamado Esquema de Separação de Tráfego, adotado pela OMI em 1968, estabeleceu faixas de roteamento através de águas do Irã e de Omã no estreito. Esta seção central atualmente não é utilizável devido ao risco de minas, disseram pessoas ligadas ao setor de navegação e segurança marítima.
Segundo a empresa de dados marítimos Kpler, o tráfego em Hormuz aumentou para uma média de 25 navios diários, ante 10 na semana anterior. Porém o volume atual ainda fica bem abaixo da média de 125 navios registrada antes do início do conflito.




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