O caso de estupro, com prisão em flagrante de um morador em situação de rua que estava instalado no Núcleo de Integração Social, o Abrigão, chocou a cidade, traz diversas questões, mas a principal é que se trata de mais um dos vários casos de violência contra a mulher, que aumentaram 53% nos últimos dez [...]

O caso de estupro, com prisão em flagrante de um morador em situação de rua que estava instalado no Núcleo de Integração Social, o Abrigão, chocou a cidade e traz diversas questões, mas a principal é que se trata de mais um dos vários casos de violência contra a mulher, que aumentaram 53% nos últimos dez anos em Petrópolis. Dados e fatos que reforçam a importância da urgência para a instalação da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher no município. Petrópolis já deveria ter esse dispositivo por ser uma das maiores cidades do interior e polo para outros municípios. Mesmo assim, o Governo do Estado sempre relutou a instalar o equipamento e só sinalizou de forma positiva quando a Prefeitura apresentou um prédio para a instalação, que está caindo aos pedaços e cuja reforma demoraria um ano e meio. E, por isso, o Estado quer instalar a DEAM apenas em dezembro de 2028. Quantos crimes a mais vão acontecer até lá? E o atendimento adequado e personalizado para a proteção das mulheres? E a sensação de medo e insegurança? Está claro que não dá pra esperar dois anos e meio? A questão precisa ser tratada com senso de urgência.

Estado não faz busca ativa e só se escora na opção dada pelo município

Se o Governo do Estado fizesse uma busca ativa em terrenos ou prédios na cidade de Petrópolis, inclusive no entorno do espaço oferecido pela Prefeitura, encontraria um sem número de espaços para locação, de todos os tipos e tamanhos. Mas aparentemente isso não aconteceu. Se escorar na única opção ofertada pelo governo municipal é muito pouco e dá a impressão de que a gestão está apenas cumprindo por obrigação e formalidade burocrática, já que há decisões da Justiça obrigando a instalação, e não pelo interesse público e de proteger as mulheres. A gestão interina do desembargador Ricardo Couto tem sido exemplar em muitos pontos, está acabando com a esculhambação e a farra do boi, e todos aplaudem a faxina que expurgou centenas de funcionários fantasmas a bem do serviço público e da moralidade. Mas o corte de gastos não pode alcançar serviços essenciais em pontos sensíveis, como é a violência contra a mulher. Ainda mais quando a questão é ratificada inclusive por decisões judiciais.

Obviamente, os dados revelados pela coluna sobre os atendimentos no Consultório na Rua não têm relação com o caso em si do estupro ocorrido nesta semana. A baixa produtividade do dispositivo é, na verdade, um dos fatores que ajudam a entender como anda a pauta relacionada aos moradores em situação de rua. Pauta que deveria ser intersetorial. Uma política pública eficiente pode não evitar um caso pontual, mas ajuda as pessoas em vulnerabilidade a estarem mais saudáveis e em condições de buscarem uma porta de saída, recuperando sua dignidade. E o cidadão, que paga imposto, tem todo o direito de questionar o desempenho de qualquer serviço.

Os dois principais candidatos ao Governo do Rio, Eduardo Paes e Douglas Ruas, visitaram Petrópolis em contextos bem diferentes. O pré-candidato do PSD foi disputado por quase toda a classe política, o que gerou até ciúmes entre algumas cabeças coroadas da sua amplíssima base de apoio. Já a agenda de Douglas Ruas, que veio a um único evento com Bernardo Rossi, Hingo Hammes e alguns secretários cabos comissionados, foi esvaziada e teria irritado até mesmo o presidente da Alerj.

Muito próximo a Gilberto Kassab, nome indicado para ser candidato a vice-presidente, Hugo Leal deve puxar no interior a campanha de Ronaldo Caiado à presidência da República. Ele está organizando um evento em Teresópolis com lideranças da região para dar início ao projeto, numa tentativa de escapar da polarização entre o presidente Lula (que tem muitas dificuldades no interior do Rio) e Flávio Bolsonaro (que vive seu pior momento após o vazamento das conversas com Daniel Vorcaro e a briga com Michelle, a esposa do capitão). 

A ponte do rio que cai

Moradores de Itaipava estão esperançosos com o fim da Bauernfest. É que, com a festa do colono alemão, não deu para a CPTrans fiscalizar o movimento do tráfego na frágil ponte do Castelo, que virou a alternativa mais próxima ao acesso pelo Arranha-Céu, que está interditado por conta das obras de recuperação. Virou uma farra, com vários veículos pesados circulando pelo local mesmo com a ponte em estado precário e sinalização indicando a proibição. Estado cada vez mais precário, aliás: com o desgaste do grande fluxo de veículos, a passagem está com mais sinais de desgaste.

Hingo só para baixinhos

E o prefeito Hingo Hammes apareceu nas redes sociais com uma agenda super fofa nessa semana: uma visita aos alunos da Escola Municipal Robert Kennedy, na Castelânea. O alcaide explicou o papel do prefeito e explicou que está sentado na cadeira por causa dos pais, que votaram nele. Deve ter sido um respiro em meio ao caos. Até porque os alunos não devem ter feito nenhum xingamento ou má-criação, ainda mais com visita.

Do jeito que vai a coisa, daqui a pouco são os fornecedores que se juntam para fazer um Refis e renegociar as dívidas com a Prefeitura para ver se recebem um caraminguá, e não o contraio, como geralmente acontece com o cidadão comum. Fica a dica.

Agora que está chegando a época de eleição, Partisans, que sempre contam com a colaboração dos leitores (que são até piores que a gente), estão abrindo um concurso: quem é o maior papagaio de pirata de Petrópolis? Mandem os currículos dos possíveis agraciados para o nosso e-mail. E vale tudo: do estagiário ao presidente da República. A lista a gente vai divulgando por aqui, só pra ver se todo mundo concorda.