OUTRO LADO: presidente do PP, investigado no caso Master, afirmou que não se manifestará

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12.set.2026 às 18h02

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Ana Luiza Albuquerque Augusto Tenório

São Paulo e Brasília

A Polícia Federal encontrou uma lista escrita à mão na churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP), intitulada "Câmara", com nomes como "Arthur" e "Hugo" e uma série de números —provavelmente "valores", segundo a corporação.

Para a PF, é provável que os nomes citados sejam referências ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), além do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), e dos deputados Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Uma funcionária afirmou aos investigadores, segundo a PF, que o manuscrito havia sido entregue a ela por Ciro Nogueira, que teria pedido para que o papel fosse queimado, por se tratar de um documento antigo, supostamente sem serventia. Ela disse à PF que não o fez porque não teve tempo.

O manuscrito foi encontrado numa operação de busca e apreensão na casa do senador em Brasília, no dia 7 de maio deste ano, durante deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero.

Procurada, a assessoria de Nogueira informou que não se manifestaria sobre o achado. A assessoria de Lira disse que ele desconhece as anotações mencionadas e que não pode responder por esse registro.

Elmar Nascimento disse à Folha que não se tratam de valores, mas sim de números. "Não tenho nenhuma relação política com Ciro Nogueira, só quem pode explicar isso é ele", afirmou.

"Desconfio da PF, quem me garante que foi encontrado lá [na casa de Ciro Nogueira]? Eles não têm fé pública de nada, não respeitam nem ministro do STF, quanto mais a gente."

Elmar disse, ainda, que o documento deve ter sido descartado, "já que a PF não pediu para levar para o plenário do STF, por investigar presidente de Poder".

A Folha procurou via assessoria ou diretamente os deputados Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. Após a publicação desta reportagem, Motta classificou como "absurda" a associação do seu nome a "qualquer tipo de ilícito", com base "em um papel apócrifo, que desconheço sua elaboração e conteúdo".

"Não sei do que se trata e repudio qualquer ilação nesse sentido. Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações. Não podemos permitir que inverdades se multipliquem, particularmente em período eleitoral", afirmou o presidente da Câmara, em nota.

Outros nomes, porém, constam no papel ao lado de números: Altineu (5), Diego (5) e Netinho (5). Na Câmara, o único Altineu é o ex-líder do PL, Altineu Cortes (RJ).

Procurada, a assessoria de Altineu Cortes não respondeu.